Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 26/10/2021

‘‘Ordem e progresso’’, esse é o lema político do positivismo exposto na bandeira brasileira. No entanto, o vivenciado em território nacional representa uma antítese a essa divisa, uma vez que, a evasão escolar, problema a ser enfrentado pela sociedade, culmina desordem e retrocesso no desenvolvimento social. Nesse sentido, deve-se analisar como o descaso governamental e a falta de debate influenciam a problemática em questão.

Nessa perspectiva, evidencia-se a negligência do Poder Público como fator determinante para a permanência do impasse. Sob esse viés, o filósofo contratualista Jean-Jacques Rousseau defende que cabe ao Estado implantar medidas que garantam o bem-estar coletivo. Entretanto, de acordo com a revista Le Monde Diplomatique Brasil, a evasão escolar atingiu níveis alarmantes no país, sobretudo durante a pandemia, denunciando, assim, que o aparato estatal infelizmente não cumpre a sua função social. Dessarte, enquanto essa postura de inadimplência governamental não for superada, não será possível ultrapassar esse obstáculo e suas consequências negativas, principalmente aos mais pobres.

Outrossim, convém ressaltar que o problema ainda é pouco debatido na sociedade. De acordo com o filósofo alemão Johann Goethe, ‘‘Nada no mundo é mais assustador do que a ignorância humana em ação’’. Por esse ângulo, é de extrema importância que a sociedade busque debater massivamente e de maneira crítica a respeito da evasão escolar e de como ela afeta os estudantes, especialmente negros e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Faz-se imprescindível, em vista disso, a dissolução dessa conjuntura.

Torna-se evidente, portanto, que o descaso governamental e a falta de debate são as principais causas da problemática em questão. Desse modo, o Governo Federal — instância máxima dos aspectos sociais e educacionais da nação —, coeso ao Ministério da Educação, deve, com urgência, adotar estratégias de divulgar os malefícios da evasão escolar, a fim de conter o agravamento desse problema. Adiante, a ação pode ser feita por meio de palestras, em conjunto às instituições educacionais, com o objetivo de informar os prejuízos que esse entrave causa e, assim, inteirar sobre os possíveis caminhos para solucionar essa situação. Como efeito social, o contrato rousseauniano será, enfim, consolidado no cenário nacional.