Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 26/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a evasão escolar, dificultando, desse modo a universalização desse direito social tão importante. Diante dessas perspectivas, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar que não é de hoje que a evasão escolar é um problema e não tem como causa única a pandemia de Covid -19. No entanto com as dificuldades do ensino remoto, a quantidade de estudantes que abandonaram a escola vem crescendo a cada dia, devido à dificuldade de acesso às plataformas online para assistir aulas e até falta de recursos para garantir conexão à internet faz com que os alunos desistam da escola. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas da Infância (Unicef), 1,38 milhões de estudantes de 6 e 17 anos abandonaram os estudos em 2020. Logo, sem formação escolar completa, há a perpetuação da pobreza devido à permanência em empregos mal remunerados.

Ademais, é fundamental apontar que existem também outras razões para a evasão como ausência de interesse pela escola, dificuldade de aprendizado, necessidade de trabalhar, falta de estímulo familiar e problemas de acesso ao estabelecimento de estudo. Como no filme “Sementes podres”, em que os alunos são forçados a deixar a escola para trabalhar. O personagem Wael, faz trabalho voluntario em uma ONG que apoia escolas que cuidam de alunos com maus comportamentos e deficiência de aprendizagem. Então, considerando o papel fundamental da escola na formação do indivíduo, é necessário tornar o espaço acolhedor, principalmente para os alunos que se encontram em situação de vulnerabilidade social ou que integram grupos historicamente oprimidos.

Portanto, é imprescindível que as Secretarias de Educação de cada estado adotem estratégias que vise ao combate à evasão escolar, como a oferta de bolsas aos estudantes cujas famílias se inserem em um contexto de pobreza e na criação de um centro de reforço para alunos que possuem dificuldades em alguma matéria. Isso deve ocorrer por meio do redirecionamento de impostos, de modo que o pagamento das bolsas seja prioridade orçamentária do Estado, e a contratação de profissionais que conduzam as aulas de reforço, a fim de evitar a evasão escolar e, consequentemente, a melhor capacitação desses indivíduos. Tais medidas visam combater o impasse de forma precisa e democrática.