Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2021
Em “Quarto de despejo”, obra literária de Carolina Maria de Jesus, a autora relata por meio de seu diário a realidade que vivência como moradora de uma favela em São Paulo, e as dificuldades que ela supera para inserir sua filha ao âmbito escolar, como o custo do transporte e o desinteresse da jovem. Sob essa ótica, é notório que há barreiras intrínsecas na realidade brasileira que dificulta a formação do indivíduo na escola, como a necessidade de trabalhar e a falta de interesse, que tem por conseguinte maior vulnerábilidade dessas pessoas em um mercado de trabalho precário. Destarte, elucida-se que a evasão escolar é uma problemática que fere a sociedade brasileira.
Em primeiro plano, é de suma importância salientar que a renda é um fator determinante à conclusão dos estudos, isso pois, quanto maior a renda, mais os estudantes avançam nos estudos, segundo o estudo Aprendizagem em Foco. Logo, para auxiliar na renda familiar, jovens optam por trabalhar ao invés de estudar, e, consequentemente, pela falta de formação escolar, tornam-se mais vulneráveis ao trabalho precário e informal. Ademais, por essa problemática atingir, sobre tudo, a população carente, isso eleva a desigualdade no país, uma vez que é mais dificultoso um indivíduo que abandonou os estudos ascender profissionalmente quando comparado com um jovem que o elevou. Dessa forma, é possível inferir que a evasão escolar fere não só o indivíduo, mas todo tecido-social.
Outrossim, o desinteresse também aumenta a evasão escolar, isso se dá por muitos educandos não terem os objetivos claros quanto aos seus estudos, assim, não compreendem o motivo para estar na sala de aula sem ser por obrigatoriedade. Dessa forma, o ensino tecnicista corrobora à implementação da qualificação profissional dos alunos, o que pode melhorar o quadro, uma vez que auxiliará na identificação do educando com o meio escolar e seus objetivos. Ainda, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a evasão escolar desrespeita os direitos das crianças e dos adolescentes. Assim, infere-se que medidas são necessárias para solucionar o impasse e seus conseguintes.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC) valer-se de todos seus recursos para manter o aluno na escola, por meio de bolsas financeiras aos alunos que necessitam trabalhar, em troca de serviços estudantis prestados à instituição, como pesquisas científicas e monitoria na educação básica. Isso a fim de diminuir os índices de educandos que abandonam os estudos por dificuldades financeiras e, posteriormente, a inserção desse no mercado de trabalho precário e o aumento da desigualdade. Além disso, o MEC deve promover campanhas informativas em diversas mídias para instruir à família a como despertar o interesse dos jovens ao ambiente escolar, parar diminuir ainda mais os índices do abandono à escola. Com tais medidas, será possível frear a realidade distópica de evasão escolar no Brasil.