Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 07/11/2021

A Constituição Federal de 1988 assegura como inerente, a todos cidadãos, o direito à educação. Entretanto, tal teoria apresenta enormes disparidades com a realidade, dado que diversos estudantes deixam instituições de ensino a fim de auxiliar economicamente seus pais e tutores, e o desinteresse pela educação impulsiona este abandono. Diante disso, discutir sobre evasão escolar e a realidade brasileira é fundamental.

Sob um primeiro viés, é relevante destacar que, por vezes, a baixa renda salarial de famílias leva jovens a deixarem suas escolas. Nesse contexto, é válido mencionar que, de acordo com o site “Brasil de Fato”, entre os anos de 2018 e 2020, 23,5% da população brasileira vivenciou insegurança alimentar, estatística que denota a vulnerabilidade econômica experenciada por uma considerável parcela da população. Com base no dado exposto, é possível relacionar que estes grupos, em situação de pobreza, priorizam a obtenção de empregos remunerados, dado que, no momento, a urgência por alimentação se sobrepõe à educação de jovens. Contudo, este cenário é problemático por impedir a futura ascensão de estudantes. Logo, conclui-se que a situação urge por mudanças.

Ademais, é competente pontuar que o desinteresse de jovens pela educação é formador de uma tragédia coletiva. Nesse sentido, é relevante expor que, de acordo com o site O Globo, no ano de 2020, cerca de 680 mil jovens brasileiros, entre as idades de 15 e 17 anos, não estavam matriculados em escolas, e a precária infraestrutura dos locais de ensino justificam esta indiferença. Deste modo, depreende-se que a péssima situação de escolas, que apresentam falta de mesas, cadeiras, e materiais escolares, além de não deterem ambientes limpos, por exemplo, é responsável por desmotivar adolescentes, pois locais com condições sanitárias básicas são essenciais para o aprendizado. Por conseguinte, a evasão escolar do público juvenil justificada pelas insalubres circunstâncias dos ambientes escolares é um obstáculo para a formação de um país educado. Assim sendo, modificar este cenário é de extrema importância.

Portanto, diante dos argumentos supracitados, mitigar a evasão escolar mostra-se essencial. Logo, cabe ao Governo Federal distribuir, para famílias de baixa renda, cestas básicas que contenham por exemplo carnes e pães, com a finalidade de manter a população alimentada sem a necessidade de afastar estudantes de suas vidas acadêmicas. Além disso, através de reajustes financeiros, cabe ao Governo Municipal -ente de reconhecida autoridade-, destinar verbas para cidades que detém escolas em situação de insalubridade, de modo que haja a renovação das instituições, a fim de proporcionar locais favoráveis para o aprendizado e um sistema educacional digno, como confere a Constituição.