Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 29/10/2021

Para o exímio educador e filósofo Paulo Freire, a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Sua frase pode ser aplicada em inúmeros fatores recorrentes na sociedade, sobretudo quando se observa a evasão escolar no Brasil. Dessa forma, é evidente que há desafios para diminuir o abandono escolar, ora pela omissão do Poder Público, ora pela negligência populacional, o que torna necessárias medidas para amenizá-los.

A princípio, é importante destacar que a Carta Magna, de 1988, assegura a todos os indivíduos dignidade, seja na saúde, educação ou bem-estar social. Entretanto, nota-se que ainda há um elevado índice de evasão escolar em decorrência da necessidade de trabalhar. Nesse cenário, segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na região Nordeste três a cada cinco adultos não completaram o ensino básico, pois precisavam trabalhar para conseguir se alimentar e manter as necessidades básicas. Desse modo, percebe-se que a omissão do Poder Público contribui para a persistência do abandono escolar.

Além disso, vale ressaltar que a desigualdade social é decorrente da dificuldade de aceitar o diferente, o que está enraizada na cultura brasileira. Conforme o IBGE, apenas 70% da população têm acesso à internet, essa desigualdade social pode levar a um maior número de evasão escolar. Nesse contexto, de acordo com a Carta Capital, em meio ao caos da pandemia do Coronavírus (COVID-19) e do isolamento social, muitas escolas estão disponibilizando ensino a distância. Porém, muitos alunos não têm acesso à internet para dar continuidade à educação. Dessa maneira, constata-se que o abismo do abandono escolar pode voltar a aumentar, são necessárias medidas para diminuir essa diferença entre a sociedade brasileira.

É notável, portanto, que a evasão escolar brasileira necessita urgentemente de medidas para amenizá-la. Logo, o Governo Federal, junto com o Ministério da Cidadania, deve melhorar e ampliar programas que beneficiem a população menos favorecida, como o Bolsa Família, por meio de ajuda financeira que mantenha crianças e adolescentes nas escolas, a fim de reduzir o alto índice de evasão escolar. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, junto com as escolas, a educação do indivíduo, por intermédio de algum papel físico (livros e folhas com exercícios) aos alunos que não possuem acesso à internet para assistir às aulas online, com a finalidade de reduzir a desigualdade entre os estudantes e, consequentemente, o abandono escolar. Nesse sentido, a educação atingirá toda a população brasileira e tornará a sociedade mais homogênea.