Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2021
Segundo Immanuel Kant, o homem é limitado a ser apenas o que a educação lhe permite. Sendo assim, nota-se uma situação paradoxal ao se abordar a evasão escolar no Brasil, na qual uma pessoa, de acordo com Kant, não poderia se formar como um indivíduo integral. Logo, percebe-se que o agravamento do cenário de escape escolar se constrói a partir de uma precária infraestrutura educacional e desigualdades socioeconômicas no país.
Vale ressaltar, de início, que a faltosa estrutura no ensino estatal pode ser evidenciada pelas diferenças entre esse sistema e o setor privado de educação. Sendo assim, as diferenças se formam a partir dos motivos que intensificam o descolamento escolar, dentre os quais, a dificuldade de transporte e distância entre os alunos e a instituição, como salientado na matéria publicada pela revista Veja, em 2017. Em contrapartida, o serviço particular apresenta alternativas para contornar as problemáticas enfrentadas por alunos de escolas públicas, como veículos coletivos para condução dos estudantes de suas casas até a escola. Desse modo, a diferença de serviços pagos e gratuitos exemplifica a realidade trabalhada por Florestan Fernandes na obra “O Desafio Educacional”, na qual descreve a educação brasileira como elitista e exclusiva.
Além disso, ressalta-se que as disparidades econômicas da população possibilitam realidades distintas no que se refere à educação, as quais impactam diretamente nos índices de desvio escolar. Dessa forma, tais realidades estão associadas com as dificuldades que a condição socioeconômica traz aos jovens em idade escolar, de forma que os mais afetados necessitam dedicar seu tempo para contribuir com o sustento da família. Dessa forma, tais disparidades são trabalhadas pelo autor Boaventura Santos, sob a ideia de hierarquia de exclusão, em que aponta que o acesso a serviços como o ensino privado limita as condições de um outro grupo. Nessa perspectiva, vê-se que as distintas realidades dificultam a permanência estudantil de parte economicamente ativa da população, o que resulta em desafios para um ensino inclusivo no Brasil.
Portanto, tem-se que a pouca infraestrutura do ensino brasileiro, juntamente com a desigualdade social existente, é um fator que amplia os índices de evasão escolar no país. Isto posto, deve o governo federal, em conjunto com o Ministério da Educação e suas secretarias, ampliar o alcance das redes de ensino público no Brasil, por meio da criação de mais pontos de transporte gratuito escolar e disponibilização de aulas em contraturno, a fim de reduzir as disparidades para com o ensino particular, além de facilitar o acesso a população estudantil inserida no mercado de trabalho. Destarte, o Brasil pode contemplar uma educação integral, que forme devidamente os alunos tal como sugere Kant.