Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 03/11/2021

É evidente que a evasão escolar é um problema ainda persiste no atual cenário brasileiro. Embora a Constituição Federal, no artigo 6, garanta o acesso à educação como direito social, entraves precisam ser superados para que a escolarização seja plena. Esses obstáculos ocorrem seja pela desigualdade social existente no país ou ainda pelo desinteresse dos adolescentes nas aulas preparadas por professores mal remunerados. Logo, essa questão precisa ser discutida e mitigada.

Vale destacar que as oportunidades educacionais não são ofertadas de forma igualitária no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 62% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. Isso acontece principalmente na fase final da vida escolar, ou seja, no Ensino Médio, pois esses adolescentes desejam ou precisam se inserir no mercado de trabalho para ajudar suas famílias. Assim, eles não são capazes de atingir o ápice do pensamento freireano defendido na obra Pedagogia do Oprimido em que o indivíduo pode utilizar a educação para superar as desigualdades sociais a qual é submetido, mas muitas vezes não consegue, pois necessita abandonar a escola antes disso.

Deve-se ressaltar também, que muitos jovens sentem-se desmotivados por não verem nela um meio de ascensão social. Somado a isso, professores também fazem parte desse grupo, uma vez que são frustrados pela baixa remuneração salarial que recebem e pela negligência do Governo, que fornece cada vez menos investimento a esse setor. Assim, raríssimos casos parecidos com o da senhora Gruwell ocorrem fora da ficção, personagem do filme Escritores da Liberdade; ela supera todas as dificuldades existentes e consegue engajar seus alunos e os convencer a não abandonar os estudos.        Portanto, urge medidas para amenizar o problema. O Ministério da Educação deve remunerar melhor os profissionais de ensino através da destinação de verbas arrecadadas por meio de impostos pagos pela sociedade a fim de manter os professores satisfeitos e motivados, o que fará com que eles desempenhem um melhor trabalho para com os alunos. Dessa forma, os estudantes se sentirão mais atraídos e não abandonarão os estudos. Somente assim o que está previsto na Constituição finalmente será vivenciado plenamente na prática.