Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/10/2021

De acordo com o Artigo 205 da Constituição federal de 1988, é dever do Estado promover a educação visando o pleno desenvolvimento dos indivíduos. Evidentemente, a violação de tal direito universal está presente na rotina de diversos brasileiros, que enfrentam a evasão escolar - fomentada pelo contexto pandêmico - devido às desigualdades sociais e à exclusão digital. Desse modo, é fundamental tomar medidas cabíveis para atenuar a problemática.

Nesse viés, convém destacar as discrepâncias socioeconômicas que afligem a população. A princípio, percebe-se a motivação dos alunos afetada pelos contrastes financeiros, uma vez que não produzem resultados satisfatórios pois estão inseridos em um cenário que exige outras preocupações. Além disso, na atual conjuntura pandêmica, os elevados índices de desemprego moldaram as necessidades dos jovens, que abandonaram a escola para fornecer uma renda instável aos seus respectivos núcleos familiares. Analogamente ao pensamento de “corpo biológico” do filósofo Émile Durkheim, as partes integrantes da sociedade brasileira precisam exercer suas funções objetivando a coesão, ou seja, enquanto houver negligência estatal, as condições escolares serão precárias e afetarão o desenvolvimento dos jovens. Sendo assim, entende-se a realidade hodierna do ensino.

Vale ressaltar, ainda, os impactos da exclusão informacional provocados pelo ensino à distância. Sob essa perspectiva, é notável a carência educacional na trajetória dos estudantes que não possuem acesso às tecnologias necessárias para prosseguir com os estudos remotos, visto que estes sentirão na prática o atraso quando retornarem ao ensino presencial, um fator de desestímulo e abandono à escolaridade. Assim, segundo o educador Paulo Freire, o ato de ensinar é político porque este proporciona o pensamento crítico e transformador, fundamental para romper com a didática que reproduz as relações de poder no âmbito escolar. De tal maneira, compreende-se a necessidade de ruptura dos métodos tradicionais para o pleno exercício da cidadania.

Em suma, são perceptíveis os empecilhos na escolaridade brasileira. Portanto, cabe às Secretarias de Educação dos respectivos estados, em consonância com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, a inserção de novas abordagens relacionadas ao cotidiano dos jovens, por meio da modificação da grade curricular ministrada, visando à maior permanência e ao maior desenvolvimento no ambiente escolar. Dessarte, será possível desfrutar de um cenário no qual a problemática foi mitigada, como assegura a Constituição federal de 1988.