Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2021
Segundo o célebre escritor Machado de Assis, “um país se faz com homens e livros”. No entanto, na população brasileira, ainda se encontra uma alta taxa de evasão escolar, o que revela a falta de investimentos em educação e a grande desigualdade social presente no Brasil. Dessa forma, para que a frase do intelectual pré-modernista torne-se verdade e o abandono à escola seja superado, é preciso melhorar a estrutura nacional de ensino.
Nesse viés, a desigualdade social extrema existente no Brasil transforma a educação em um privilégio, ao invés de um direito universal. Isso ocorre pois, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadãos de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, permanecendo inerte no papel. Prova disso é a falta de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 205 da Constituição Federal de 1988, que garante, entre tantos direitos, o acesso à educação. Isso é perceptível seja pelas deficiências estruturais, como a falta de materiais didáticos e espaços escolares adequados, seja pela baixa valorização da carreira de professor, levando a docentes mal remunerados e formação profissional fraca. Assim, a negligência governamental mantém alta a taxa de evasão escolar.
Outrossim, a educação brasileira ainda é muito sucateada, gerando uma consequente manutenção do desinteresse dos jovens no processo de aprendizagem. Nesse sentido, é pertinente relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, de Paulo Freire, na medida em que ele aponta a importância das escolas em fomentar não somente o conhecimento técnico-científico, mas, também, o pensamento crítico do indivíduo. Contudo, a metodologia ultrapassada e excessivamente conteudista das instituições de ensino brasileiras acabam por promover a desistência dos adolescentes em permanecer no ambiente escolar, o que gera resultados pífios, como o analfabetismo funcional. Dessa maneira, a dinâmica mecanizante e teórica do sistema educacional diverge da teoria idealizada por Freire e, portanto, não estimula o aluno a buscar as experiências adquiridas na escolas.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, junto de governos Estaduais, invista na melhoria do sistema educacional brasileiro, por meio da instituição de um ensino menos conteudista, com projetos educativos que estimulem o conhecimento crítico do aluno, além de destinar verbas para a construção de escolas com boas estruturas e suprir a escassez de materiais didáticos, com o fito de criar um ambiente de estudo agradável. Ademais, as prefeituras devem focar na criação de ótimos corpos docentes, mediante o aumento do salário dos professores e a promoção de políticas públicas voltadas à valorização da profissão, a fim de erradicar paulatinamente a evasão escolar. Desse modo, o Brasil tornar-se-á um país com o equilibrío adequado entre homens e livros.