Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2021
Em um dos episódios da animação norte-americana “South Park”, os protagonistas decidem desistir de suas jornadas escolares para trabalharem ilícitamente, expectando que a educação não seria importante para seus futuros. Todavia, as dificuldades enfrentadas os fazem questionar a veracidade de suas ideias e, consequentemente, arrependem-se de suas escolhas. Entretanto, tal problemática não é exclusiva da ficção, posto que, no território brasileiro, a evasão escolar é presente diante à condição socioeconômica familiar e à responsabilidade parental precoce.
É notório que as classes menos favorecidas são as que mais sofrem com o problema. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, estima-se que 2,5% da população total sejam adolescentes que tenham evadido os estudos, sendo a maioria em regiões pobres e periféricas. A razão para isto ocorrer exarcebadamente em localidades específicas é condicionada à necessidade financeira, posto que muito desses jovens precisam conciliar o trabalho e as aulas. Porém, a carga horária empregatícia, em conjunto do tempo de transporte, pode tornar tal tarefa inexecutável, fazendo com que o indíviduo escolha a própria sobrevivência, ao invés da educação.
Outrossim, a gravidez na adolescência também gera adversidades que conflitam com a continuidade da vida escolar. A carência de matérias sobre Educação Sexual nas escolas brasileiras fazem com que muito dos jovens não conheçam e utilizem métodos contraceptivos e, por conseguinte, engravidam após a puberdade, tendo problemáticas, não só econômicas, como também psicológicas. De acordo com a Psiquiatria, as mudanças hormonais em uma gestante fazem com que seus aspectos mentais fiquem fragilizados, podendo ocorrer até a depressão pós-parto. Deste modo, tais cidadãos possuem obstáculos biológicos que acentuam, ainda mais, a continuidade na vida escolar.
À vista disso, é necessário que o Estado tome medidas para combater a evasão escolar. O Ministério da Educação, em conjunto do Ministério do Trabalho, precisa arquitetar maneiras de conciliar a jornada escolar com o trabalho, por meio da flexibilização do horário das aulas e de projetos remunerados que visem a integração do aluno ao mercado de trabalho formal. Também, os governos municipais precisam fornecer auxílios, como vale-alimentação e transporte, para alunos da rede pública, mediante à comprovação de situação vulnerável, para que estes possam contornar as adversidades socioeconômicas. Desta forma, os jovens poderão concluir seus estudos e, diferentemente de “South Park”, a evasão escolar não acontecerá.