Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 02/11/2021

A obra cinematográfica ´´Escritores da liberdade´, de produção norte-americana, alude para a rotina de jovens e adultos que, após anos sem estudo, regressam para a escola, esta, tomada pela violência. Fora da ficção, o cenário exibido no longa-metragem assemelha-se à realidade do Brasil, na qual os indivíduos abandonam a instituição de ensino para trabalhar ou devido a sua inserção no tráfico de drogas. Desse modo, é necessário discutir acerca da ingerência estatal e do fator socioeconômico, principais fomentadores da problemática.

A princípio, é válido salientar a passividade da esfera governamental face às adversidades presentes no ensino brasileiro. Nesse viés, a Constituição de 1988, em seu artigo n°6, prevê a responsabilidade do Estado em proporcionar uma educação de excelência a todos os cidadãos. Entretanto, é evidente a violação dessa legislação, haja vista a falta de políticas públicas visando o retrocesso do quadro violento das escolas, em que os jovens, com receio de serem vítimas, deixam de frequentar o ambiente e interrompem o ciclo educativo- corroborando, pois, para o déficit intelectual dos sujeitos. Dessa forma, é fulcral a efetiva aplicação dos direitos civis.

Ademais, é relevante abordar que a evasão escolar reflete o caráter segregativo do tecido social. Nesse contexto, Paulo Freire, educador brasileiro, defendia o acesso ao conhecimento como ferramenta essencial para os jovens construírem o próprio futuro. Sob essa perspectiva, a idealização do pensador não é vista no cotidiano das classes marginalizadas, em que os impasses socioeconômicos privam os alunos de dedicarem-se por completo aos estudos, os quais, a posteriori, por exígua qualificação acadêmica, serão subjugados no mercado de trabalho. Assim, a democratização da educação ainda é uma utopia.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar o óbice supracitado. Nesse diapasão, a União, em conjunto com o Ministério da Educação, deve criar um projeto de assistência familiar aos alunos evadidos, por meio do fornecimento de apoio psicológico e pedagógico em comunidades distantes, o qual será subsidiado por verbas públicas, distribuídas pelo Tribunal de Contas da  União, com o fito de incentivar o retorno dos estudantes à instituição de ensino, de maneira mais humanizada e compreensiva. Logo, com a adoção de tais iniciativas, a árdua realidade de ´´Escritores da liberdade´´ distanciará do quadro brasileiro.