Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 02/11/2021
O Artigo 6° da Constituição Federal, de 1988, trata como direito social de todo cidadão o acesso a educação e dever do estado a garantia desta. Contudo, hodiernamente, faz-se perceptível a defasagem nos níveis educacionais, sobretudo afetando a parcela menos favorecida da população, não os oferecendo acesso a uma educação de qualidade, o que afeta diretamente os níveis de evasão escolar no país. Sob esse viés, percebe-se como uma das principais causas desse problema o descaso governamental para com a educação, que associado ao difícil cotidiano enfrentado por parte dos indivíduos, corrobora para a permanência desse impasse.
Convém ressaltar, a princípio, que o descaso governamental na esfera da educação atinge, diretamente, não só o desempenho e taxas de evasão na Educação Básica, como também toda a vida do cidadão. Desse modo, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, eram cerca de 680 mil jovens de 15 a 17 anos fora da escola, sem ter concluído a Educação Básica, o que representa 7,1% desta faixa etária, além de grande parte dos jovens que abandonam os estudos o fazerem mediante a dificuldades financeiras, por terem que começar a trabalhar precocemente. À vista disso, nota-se o descomunal desequilíbrio em toda a esfera educacional, sendo de extrema importância uma intervenção para o combate e reestruturação.
Outrossim, apesar de existirem diversas das políticas públicas associadas à área educacional, grande parte delas são ineficazes, sequer cumprindo o seu objetivo inicial. Nesse sentido, tem-se como exemplo o Projeto de Educação de Jovens e Adultos (EJA), que foi criado objetivando possibilitar o acesso à educação para jovens e adultos que não concluíram o ensino fundamental ou ensino médio, entretanto, assim como no modelo tradicional de ensino, devido a falta de tempo, rotina cheia, ou até falta de motivação, os níveis de evasão são bem altos, dessa forma não conseguindo fornecer a educação devida. Assim, é imprescindível o estabelecimento de condutas que minimizem tal infortúnio.
Diante do exposto, com o fito de mitigar a problemática, impende ao Governo Federal o aprimoramento das políticas públicas relacionadas a educação, por meio de uma melhor fiscalização e adequações nas diretrizes estabelecidas, para que os projetos e leis existentes possam cumprir sua designação adequadamente, colaborando para o desenvolvimento social e cumprindo sua função. Ademais, também o Governo, por intermédio do Ministério da Educação, deve investir na educação pública e auxiliar os estudantes desde cedo, assim evitando a evasão e atenuando o problema desde sua raíz. Assim sendo, a sociedade poderá atenuar o óbice e o Estado, como previsto pela Constituição, garantirá a educação da população, como lhe é de direito.