Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 04/11/2021
O sociólogo Émille Durkheim definiu a sociedade como um organismo biológico cuja parte em disfunção ocasiona o caos de todo o sistema. Sob tal ótica, a evasão escolar, sobretudo no contexto brasileiro, é um pilar defeituoso do corpo social que pode impedir o desenvolvimento do país a longo prazo e, assim, causar o colapso desse “organismo” vivo, o que configura um grave problema. Isso se explica não só pela negligência governamental, mas também pela gravidez na adolescência.
A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da má gestão estatal no tocante ao investimento na educação pública. Quanto a isso, segundo a Organização para Coordenação do Desenvolvimento Econômico e Social, no Brasil, o investimento governamental em educação está abaixo da média mundial. Nesse sentido, com a falta de verba, as escolas permanecem sucateadas, não há como pagar o salário de professores capacitados e, por fim, o aprendizado das crianças é extremamente comprometido. Consequentemente, muitos jovens, principalmente aqueles de baixa renda, optam por abandonar os estudos e entram no mercado de trabalho de forma prematura, onde tentarão ganhar alguma renda extra para ajudar a família.
Outrossim, a discussão em curso deriva ainda da gravidez na adolescência. A esse respeito, é pertinente ressaltar que o pouco engajamento dos canais de comunicação é determinante na ocorrência dessa problemática, pois, de acordo com o escritor George Orwell, as mídias exercem extrema influência sobre a massa popular. Nesse viés, com a baixa disponibilidade de campanhas educacionais sobre a prevenção sexual, os jovens que não têm acesso à educação ficam bem mais suscetíveis a terem filhos precocemente. Em virtude disso, com a ocorrência da gravidez, os adolescentes, em especial as mulheres, são obrigados a sair da escola para se dedicar à criação dos filhos, pois não têm tempo de conciliar os estudos com a paternidade.
Portanto, de modo a reduzir a evasão escolar no Brasil, medidas exequíveis são necessárias. Primeiramente, compete ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com o Ministério da Educação, destinar mais verba para as escolas públicas do país. Isso deve ser feito por meio do investimento na manutenção de salas de aulas - as quais devem ter todos os recursos modernos necessários para potencializar o aprendizado - e na capacitação de professores, a fim de que os jovens possuam, na educação, o melhor caminho para o desenvolvimento de suas vidas. Ademais, compete às mídias televisivas e digitais um maior comprometimento na divulgação de campanhas de conscientização sobre a prevenção sexual, para que os índices de gravidez precoce diminuam e os jovens não sejam obrigados a abandonar os estudos para se dedicar à criação dos filhos.