Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 04/11/2021

Segundo o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo. No entanto, quando as escolas se mostram despreparadas para o avanço do mundo, quando a situação financeira familiar não é suficiente para manter um jovem nos estudos ou mesmo quando não há incentivo ao prosseguimento dos estudos, a evasão escolar se torna uma realidade e essa tão poderosa “arma transformadora” se torna retrógrada, elitista e ineficiente. Isso, na sociedade brasileira, descobre não só das desigualdades socioeconômicas, mas também do modelo mecanizado de ensino.

Nessa linha de raciocínio, é valido debater acerca dos impactos do abismo socioeconômico brasileiro no que tange a evasão escolar. De acordo com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o Brasil, em 2019, ocupava a sétima posição na lista dos países mais desiguais do mundo. Dessa maneira, o dado supracitado reflete diretamente na fuga escolar, pois, em uma família menos abastada, a educação, infelizmente, muitas vezes, não é prioridade quando outro assunto é mais urgente: a sobrevivência. Sendo assim, muitos jovens abandonam os estudos para trabalhar, de modo a garantir o sustento pessoal e familiar.

Além disso, a estudo mecanizado atual é um importante catalisador para a problemática. Destarte, apesar do avanço das tecnologias, a metodologia de ensino é a mesma de séculos atrás: diversos alunos sentados, calados e ouvindo o que tem a ser dito. Dessa forma, embora essa alternativa de estudo seja tradicional, estudos, como o cone da aprendizagem de Edgar Dale, apontam que essa metodologia é ineficiente, em comparação as aplicações da conversação, do estudo ativo, das dinâmicas, que são muito mais eficazes para aprendizagem; além de entreter, engajar e inspirar os alunos. Sendo assim, a maneira como o conhecimento é passado atualmente faz com que os estudos se tornem tediosos, maçantes e cansativos, assim, contribuindo ativamente na evasão escolar.

Portanto, urge que o governo, em parceira com as escolas, promovam ensino de maneira mais cativante e cientificamente mais eficaz, através de uma alteração na BCC (Base Comum Curricular), a promoção de aulas interativas, do debate para o desenvolvimento do senso crítico e levando assuntos atuais e relevantes para os jovens, a fim de mitigar a evasão escolar no Brasil. Para que, feito isso, a “arma transformadora” de Nelson Mandela, seja, definitivamente, uma realidade.