Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 06/11/2021

Dados do Ministério da Educação apontam que 42% dos alunos brasileiros abandonam a escola em umas das etapas do Ensino Médio. Esse fato demonstra como a evasão escolar ainda é um problema bastante presente entre os jovens. Desta forma, é perceptível que as autoridades devam dar atenção ao assunto devido às consequências que impactam negativamente a sociedade e economia brasileira.

Em primeira instância, é necessário frisar quais são as causas do abandono escolar entre os jovens. Infraestruturas sucateadas, casos de bullying, dificuldade de acesso por falta de transporte, falta de escolas em regiões rurais e periféricas e, ainda, altas taxas de violência no entorno das instituições são grandes motivadores de elevados números de evasão. Contudo, o provável protagonisto desse enredo é a questão financeira. Segundo IBGE, em 2019, 52 milhões de brasileiros se encontravam em situação de pobreza. Logo, adolescentes e, até mesmo, crianças são obrigadas a deixar os estudos para ajudar a completar a renda de suas famílias e, embora o Estatuto da Criança e do Adolescente garanta o acesso à aprendizagem, esses menores perdem seus direitos devido ao descaso governamental.

Outrossim, deve-se ressaltar os impactos sociais e econômicos trazidos por tudo o que foi citado anteriormente. Ao abandonar a escola a fim de trabalhar para auxiliar na renda familiar, o menor dá continuidade ao ciclo da pobreza que assombra a sociedade brasileira. Por não possuir ensino completo, os trabalhos ofertados serão de baixo salários e, em grande maioria, informais. Desse modo, as perspectivas de carreira desse jovem serão quase nulas com a ausência de diploma e, quando decidir por formar uma família, seus futuros integrantes vivenciarão um cenário bastante similar. Ademais, de acordo com o filósofo John Rawls, ao dificultar o acesso a bens primários, como a educação, a uma parcela da população, o governo não poderá esperar que esse grupo coopere com a sociedade como cidadãos nem que alcancem avanços na esfera cultural e financeira.

Fica evidente, portanto, que é necessário uma mudança no panorana atual da educação brasileira a fim de beneficiar a vida dos jovens e também a sociedade e a economia. Para que se atinja essas metas, o Ministério da Educação precisa projetar formas de incentivo ao estudo entre a população de baixa renda. Além das melhorias na infraestrutura e no preparo de professores, deve-se planejar a destinação de verba para a criação de “bolsas estudo”, ou seja, uma ajuda financeira aos menores com o intuito de diminuir os números de casos de evasão escolar e, assim, formar mãos de obra mais qualificadas e especializadas.