Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 06/11/2021

A obra “O Diário de Anne Frank” retrata o relato da jovem júdia Anne Frank, que foi obrigada a abandonar a escola e se esconder da Alemanha Nazista durante sua perseguição aos judeus na Segunda Guerra Mundial.  De maneira análoga a nefasta realidade vivenciada pela adolescente, o Brasil, apesar de não sofrer de tal intolerância religiosa por parte dos órgãos governamentais, também enfrenta uma crise em relação a evasão escolar, com cerca de 1,3 milhão de jovens entre quinze e dezessete anos deixando a escola antes de concluírem o ensino médio, de acordo com dados do Instituto Unibanco. Diante disso, é preciso avaliar o que motiva tal situação a continuar ocorrendo no território tupiniquim.

Precipuamente, é crucial a necessidade de relacionar a evasão escolar com a desigualdade financeira no país. O estudo Aprendizagem em Foco apontou que quanto maior a renda, mais os estudantes avançam nos estudos, o que é ocasionado pela falta de transporte escolar público ou de responsáveis aptos para levarem crianças de baixa renda para as escolas, obrigando-as a deixarem o ensino para auxiliarem os pais na busca de um trabalho. Esse trabalho, majoritariamente, é informal e de mão de obra desqualificada, como alega o escritor Gilberto Dimenstein em seu livro “O Cidadão de Papel”. Sendo assim, o dinheiro ganho pelo jovem permanece sendo insuficiente para suprir as necessidades básicas das famílias prejudicadas.

Ademais, quando o jovem se vê incapaz de ajudar a sua família e a si mesmo através de um emprego, por muitas vezes, infelizmente, ingressa na criminalidade procurando prover sua subsistência. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fez um paralelo entre as altas taxas criminais no Brasil e a evasão escolar, afirmando que se todos os jovens estivessem na escola, haveria menos violência no país. Não obstante, o filósofo grego Pitágoras de Samos já dizia séculos atrás a célebre frase: “Educai as crianças e não será necessário punir os homens”, deixando claro que uma educação de qualidade para todos os jovens, sem distinção de renda, cor, etnia e derivados, é o único caminho para o desenvolvimento completo e melhor funcionamento de uma nação.

Depreende-se, portanto, a importância que o Ministério da Educação deve dar a esse problema, tornando-se fulcral que o Tribunal de Contas da União direcione capital para a construção de ônibus escolares e para a instrução de professores capacitados, a fim de que crianças de baixa renda tenham condições para irem ao colégio e serem atendidas com um ensino de qualidade igual a de crianças de classe alta, assim diminuindo a desigualdade social. Dessa forma, o Brasil será capaz de avançar em direção ao desenvolvimento.