Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 09/11/2021
O romance filosófico “Utopia” - escrito pelo inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos. Tal fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea, visto que a evasão escolar ainda faz parte da realidade brasileira. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão do desinteresse dos jovens, mas também da desigualdade social enfrentada no país.
Seguindo essa linha de pensamento, é possível afirmar que a falta de interesse em concluir o ensino está entre os principais desafios da problemática. Consoante a Plataforma Juventude, Educação e Trabalho, 29,2% dos jovens entre 14 e 29 anos revelam não ter estima em estudar. Infelizmente, essa desafeição não ocorre de maneira repentina e sem motivo, uma vez que o modo de se ensinar não traz clareza de para que aquilo servirá na realidade dos estudantes.
É relevante abordar, também, a questão da desigualdade social dentro do ambiente escolar. É lamentável, em pleno século XXI, presenciar a saída de alunos das escolas por questões financeiras. Conforme dados da Síntese de Indicadores Sociais 2019, 11,8% dos cidadãos, entre 15 e 17 anos, que são mais pobres, abandonaram a escola sem concluir o ensino médio em 2018. Logo, a educação passa a não fazer parte dos mecanismos essenciais que deveriam servir de combate à discrepância de oportunidades no Brasil.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves apresentados. Assim, cabe ao Ministério da Educação, mediante o aumento do percentual de investimento no ambiente escolar, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar o financiamento de programas sociais por meio de uma parceria com o Ministério da Economia com o objetivo de adequar o ensino brasileiro à vida dos alunos. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de Morus na sociedade brasileira.