Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 13/11/2021
A produção ficcional “O aluno” conta a história de um queniano que - por questões políticas - não obteve uma formação educacional. Todavia, aos seus 84 anos, ele decidiu se matricular no primário e, com muita persistência, foi alfabetizado. Nessa atmosfera, sendo a arte mera imitação da realidade, essa abordagem abre margem para um tema de extrema importância na vivência brasileira: a evasão escolar. Dessa forma, pode-se afirmar que a desigualdade social, bem como a negligência estatal fomentam a manutenção desse entrave.
Nesse contexto, é relevante salientar que a assimetria social corrobora o abandono escolar. Sob essa ótica, segundo Ariano Suassuna, o Brasil é dividido em dois grupos: o dos privilegiados e dos despossuídos. Dessa maneira, as palavras do escritor podem ser validadas no cotidiano pelo cenário inadequado em que substancial parcela dos jovens deixam de frequentar as intituições escolares, pela falta de condições de se manter no ambiente de aprendizado, devido a necessidade de ajudar financeiramente seus familiares. A esse respeito, enquanto a disparidade social for uma característica histórica perpetuada na vida de um estudante, a desistência escolar será potencializada.
Ademais, vale destacar que a displicência governamental avigora o esvaziamento colegial. Partindo dessa égide, Gilberto Dimenstein - em sua obra “Cidadão de Papel” - declara que as condições de cidadão são apenas garantidas na teoria, pois há dificuldade e despreocupação em efetivar na prática. Seguindo essa linha de pensamento, diversos alunos acabam evadindo as escolas, em virtude do Poder público ser incapaz de estender os seus direitos, como precedeu o escritor, de maneira que não oferece um suporte de manutenção dos estudantes desistentes, a exemplo de políticas públicas que auxiliem o grupo familiar. Dessa maneira, a diminuição da presença do discente no âmbito escolar é fortalecida pela omisão do Estado.
Ante o exposto, portanto, é necessário que o Estado, por intermédio do Ministério da Educação, invista em estratégias que introduzam a importância da formação do indivíduo no meio escolar, por meio de políticas públicas que amparem as famílias de baixa renda, enquanto os menores estão no colégio, além disso, insiram o “mês do bate-papo”, em que os estudantes possam discutir, mensalmente, a necessidade e os pontos positivos/negativos do ensino em questão, sendo estimulada, cada vez mais, a permanência dos mesmos no ensino, com a finalidade de assegurar a assistência estatal e combater a desigualdade social. Isto posto, o brasileiro, assim como Maruge, poderá, de fato, lutar pela estabilidade educacional.