Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/11/2021
A obra literária de J.K. Rowling “Harry Potter e a Ordem da Fênix” narra o quinto ano de Harry em Hogwarts. As mudanças sofridas no colégio durante esse período - como a nova diretora autoritária Dolores Umbridge - desagradou e desrespeitou vários alunos, dentre eles Fred e Jorge, que abandonaram a escola no final do ano letivo. Em analogia com a realidade contemporânea, percebe-se a problemática da evasão escolar no Brasil, tanto pela mentalidade retrógrada da população quanto pela discrepância social.
Diante desse cenário, é notória a ignorância da sociedade. Nessa perspectiva, o sociólogo Zygmunt Bauman traz em sua obra “Modernidade Líquida” o conceito de sociedade líquida. Tal expressão indica que, no século atual, as pessoas não possuem forma nem relações concretas como antigamente. Seguindo esse pensamento, constata-se que as escolas configuram modelos arcaicos, com intuito de padronizar os alunos - como uso de uniformes e cadeiras enfileiradas - impondo uma “forma” aos jovens. Com isso, as instituições estudantis criadas no século XIX se tornam obsoletas e inadequadas para as pessoas do século XXI, resultando na alta taxa de evasão das escolas do país.
Outrossim, observa-se a diferença econômica no grupo social. Nesse horizonte, o geógrafo Milton Santos expõe em seu livro “Por uma outra globalização” a diferença dos PIBs entre as regiões brasileiras e aponta a desigualdade e a pobreza como causa direta. Deste modo, indivíduos residentes de localidades menos favorecidas financeiramente abandonam os níveis básicos de escolaridade para poderem trabalhar e custear suas necessidades básicas, como água, energia e alimentos. Sendo assim, o acesso à educação deixa de ser um direito e se torna um privilégio.
Urge, portanto, intervenções para minimizar tais empecilhos. Logo, cabe ao Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação - órgão regulador das instituições escolares -, proporcionar cursos para os professores, por meio de verbas públicas, instruindo-os como transformar a sala de aula em um ambiente atrativo para os alunos, com discussões atuais e utilização de laboratórios, a fim de tornar o estudante um protagonista do seu processo estudantil. Por conseguinte, espera-se que, futuramente, a sociedade se apresente diferente da de Harry, sendo mais justa, livre e democrática.