Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 13/11/2021

A Constituição Federal de 1988 garante como dever do Estado brasileiro o acesso à educação e o ensino gratuito às crianças e aos adolescentes em todo o país. No entanto, não é o que se observa no cenário social diante da alta no abandono escolar. Nesse contexto, no Brasil, surge a problemática da evasão escolar, seja pelo reflexo na desigualdade social, seja pela ineficiência de instituições públicas.

Sob esse viés, em um país de grande desequilíbrio social, em que apenas uma pequena parcela da população tem acesso à educação de qualidade, dificilmente a outra parcela, mais pobre, terá um ensino educacional justo. Acerca disso, como retrata Marx, sociólogo alemão, a infraestrutura, sempre ligada ao capital, gera uma superestrutura, como a sociedade, cultura, educação etc. Analogamente a essa conjectura, a evasão escolar opera: num país, em que a desigualdade é inerente à sua história, muitas pessoas mais simples não conseguem ter acesso a um ensino pelo fato de que, na falta de dinheiro, muito jovens e até crianças, precisam trabalhar para completar o sustento de suas famílias. Visto isso, como consequência, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil, em 2021, possui quase 1,4 milhão de crianças e adolescentes fora das salas de aula. Assim, uma nação que vive de discrepâncias, principalmente a econômica, muito provavelmente terá um grande número de pessoas abandoando as escolas.

Em segunda análise, a alta evasão escolar passa pela ineficácia dos meios sociais. Nesse cenário, segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, as Instituições Zumbis, isto é, o Estado, as famílias, as mídias, funcionam apenas com seu arcabouço estrutural, sem função e dever social. Por essa lógica, esses meios públicos, ao não permitirem uma educação digna, de qualidade e atrativa a toda uma população de forma equânime e justa, ajuda em um grande abismo escolar. Nessa perspectiva, há uma alta no abando escolar e políticas sociais, como as cotas, por exemplo, são usadas para tentar solucionar esse buraco no ensino básico e público. Portanto, o alto número de alunos que abandonam as escolas tem como reflexo em bases sociais fracas e ineficientes.

Dessa forma, a evasão escolar sob a dinâmica brasileira passa tanto pelas discrepâncias socias, quanto pela ausência no dever dos meios sociais. Sobre isso, os governos municipais, estudais, por meio das Ongs, devem estimular a criação e expansão de projetos sociais e educacionais, seja levando o ensino a maioria da população carente, seja com maior incentivo aos professores no ensino a essa parte da população. Com isso, as crianças, mais instruídas, facilitarão a redução no abandono escolar e reduzirão índices de analfabetismo e crimes juvenis. Logo, por conseguinte, uma sociedade mais justa será formada e os alunos conseguirão melhores condições de emprego e qualidade de vida.