Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 15/11/2021
A Constituição Federal de 1988 garante como dever do Estado brasileiro o acesso ao ensino gratuito e à educação às crianças e aos adolescentes em todo o país. No entanto, não é o que se observa no cenário atual diante da alta no abandono escolar. Nesse contexto, no Brasil, surge a problemática da evasão escolar diante da realidade, seja pelo reflexo na desigualdade social, seja pela ineficiência de instituições públicas.
Sob esse viés, em um país de grande desigualdade social, em que apenas uma pequena parcela da população tem acesso à educação de qualidade, dificilmente a outra parcela, mais pobre, terá um ensino educacional justo. Acerca disso, como retrata Marx, sociólogo alemão, a infraestrutura, sempre ligada ao capital, gera uma superestrutura, como a sociedade, cultura, educação etc. Analogamente a essa conjectura, a evasão escolar opera: muitas pessoas mais simples não conseguem ter acesso ao ensino pois, na falta de dinheiro, muito jovens precisam trabalhar para ajudar no sustento de suas famílias. Visto isso, como consequência, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil, em 2021, possui quase 1,4 milhão de crianças e adolescentes fora das salas de aula. Assim, uma nação que vive de discrepâncias, principalmente a econômica, muito provavelmente terá um grande número de pessoas abandoando as escolas.
Em segunda análise, a alta evasão escolar passa pela ineficácia dos meios sociais. Nesse cenário, segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, as Instituições Zumbis, isto é, o Estado, as famílias, as mídias, funcionam apenas com seu arcabouço estrutural, sem função e dever social. Por essa lógica, esses meios públicos, ao não permitirem uma educação digna, de qualidade e atrativa a toda população, ajudam no abando no escolar. Como exemplo, ilustra-se a precariedade dos espaços de ensino público, a falta de transporte adequado em regiões mais carentes, a ausência de adequação profissional de muitos professores etc. Portanto, o alto número de alunos que abandonam as escolas tem como reflexo bases sociais fracas, ineficientes e precárias.
Dessa forma, a evasão escolar passa tanto pelas discrepâncias socias, quanto pela ausência do dever dos meios sociais. Sobre isso, os governos municipais, estudais, por meio das Ongs, devem estimular a criação e expansão de projetos sociais e educacionais, seja levando o ensino a maioria da população carente, seja com maior incentivo aos professores no ensino a essa parte da população. Com isso, as crianças, mais instruídas, facilitarão a redução no abandono escolar e reduzirão índices de analfabetismo e crimes juvenis. Logo, por conseguinte, uma sociedade mais justa será formada e os alunos conseguirão melhores condições de emprego e qualidade de vida.