Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 16/11/2021
A filósofa alemã Hannah Arendt, em “Banalidade do mal”, reflete sobre as consequências geradas pela alienação social, situação na qual , colabora para formação de indivíduos acríticos capazes de encarrar ações moralmente erradas como um simples aspecto da sociedade. Nesse sentido, entende-se que esta é a postura social brasileira acerca da preocupante taxa de evasão escolar no país. Sendo assim, convém analisar como a negligencia estatal colabora com esses números e quais os efeitos gerados no corpo social por essa problemática.
De início, de acordo com a constituição federal do Brasil, sob o artigo 205, a educação é um direito de todos e um dever do estado. No entanto, nota-se a violação desse direito quando se observa a realidade atual da educação brasileira que sofre a carência de recursos destinados a este meio. Posto isto, evidencia-se a instituição federativa como principal agente propulsor, visto que, cabe ao mesmo destinar os recursos necessários. Ademais, destaca-se também, a estagnação do sistema de ensino, considerando que o mesmo, permanece imutável, mesmo diante das inovações tecnológicas. Logo, a falta de verbas aliada a a métodos de ensino ultrapassados colaboram para o processo de abandono escolar, dado que os alunos não enxergam o ambiente escolar como uma porta a aprendizagem, mas sim uma obrigação. Mediante ao exposto, segundo dados da UNICEF, divulgadas no site cnnbrasil.com, o número de adolescentes que deixaram a escola no ano de 2020 chega a casa dos 1,3 milhões.
Outrossim, deve-se considerar quais são os impactos. Dessa forma, então, é válido ressaltar as reflexões contidas na obra, “Pedagogia da autonomia”, de autoria do educador Paulo Freire, na qual afirma a importância das escolas no papel de fomentar não só o conhecimento técno-científico, mas também habilidades socioemocionais e cívicas. Neste panorama, torna-se notório que a precarização do ensino e a consequente evasão gera uma lacuna na formação educacional do ser social , o que reflete de forma negativa sua condição de vida , tendo por exemplo, a limitação das possibilidades de ascensão econômica, ingresso em uma universidade e execução de sua cidadania de forma plana. Em suma, a negligencia reforça as desigualdades sociais.
Portanto, é indubitável que caminhos devem ser construídos para combater o problema. Desse modo cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, elaborar projeto de reformulação da base nacional curricular comum inserindo na mesma, metodologias mais tecnológicas e didáticas, com o fim de melhorar a qualidade do ensino e mudar a percepção do aluno perante a escola. Dessa maneira, será possível mitigar os efeitos da evasão escolar, e colaborar para a manutenção de uma sociedade moralmente melhor, e menos desigual, não praticante da banalidade do mal.