Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 16/11/2021

A constituição federal de 1988, conhecida como a constituição cidadã, prevê a obrigatóriedade do estado de garantir o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática no Brasil quando se observa os números alarmantes sobre a evasão escolar, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, como as diferenças socioeconômicas e a estrutura inerte das bases de aprendizagem.

Nesse sentido, verifica-se que uma das principais variáveis relacionadas à evasão escolar é a desigualdade social. Tal relação é apresentada na série brasileira “Segunda Chamada”, em que aborda a realidade e motivos socioecômicos de diversos adultos terem optados ou sido forçados à abandonar o ensino básico ou médio. Nessa pespectiva, a premissa apresentada na trama, também se confirma fora da ficção, na medida em que jovens inseridos em contextos de pobreza são, por exemplo, forçados a deixar a escola para trabalhar, a fim de completar a renda familiar. Por conseguinte, sem uma formação escolar completa, condição mínima para se candidatar a postos de trabalho social e financeiramente mais valorizados, tais indivíduos veem-se limitados a ocupações mal remuneradas, o que o arrecada em uma ausência de mobilidade social.

Além disso, a base de ensino das esolas brasileiras permanecem quase sem alteração desde sua formulação. Em sua composição denominada ‘‘Estudando errado’’, o rapper Gabriel, o pensador, questiona o quanto a instituição de ensino foca em ensinar assuntos que não condizem com a realidade dos seus alunos e esquecem suas aptidões individuais. Os versos da canção do cantor condizem com a realidade, pois, segundo estudo lançado em 2020 pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) aponta que o país tem quase 1,2 milhão de crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos fora da escola, sendo que 29,2% desse valor abandonaram o ensino fundamental ou médio por motivos de falta de interesse. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da educação, juntamente com o ministério da cidadania, reavaliem e redijam uma nova base de aprendizagem que respeite as diferenças e vivências de grupos em situação de vunerabilidade social, além de disponibilizar apoios pedagógicos e econômicos para incentivar a permanência dos indivíduos nas instituições de ensino, a fim de minimizar os problemas que tangem a evasão escolar de jovens e adultos. Assim, se consolidará uma sociedade mais justa para todos, onde o Estado desempenha corretamente o que foi proposto em sua constituição cidadã