Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 16/11/2021
O filme estadunidense ‘’Admirável Mundo Novo’’ de 1998 – inspirado no romance britânico de Aldous Huxley – apresenta uma sociedade futurística e utópica que é desprovida de guerras, de doenças e de crimes, ou seja, de problemas sociais. Fora da ficção, é fato que a situação apresentada mostra-se distante da realidade contemporânea, visto que a evasão escolar caracteriza um desafio a ser sanado na sociedade brasileira. Isso ocorre seja pelas diferenças socioeconômicas, seja pela marginalização social enfrentada pelos alunos. Dessa maneira, se torna imperioso que essa chaga social seja resolvida.
Diante desse cenário, é lícito salientar que a desigualdade social vivenciada por esses indivíduos catalisa a problemática. O IBGE publicou, em 2020, um estudo mostrando que 20% da população entre 14 e 29 anos, o que equivale a 10 milhões de jovens, não completou alguma das etapas da educação, como o ensino básico ou o ensino fundamental, por exemplo. Cerca de 40% dos entrevistados alegaram que saíram da escola porque precisavam trabalhar, para ajudar no sustento da família. Dessa forma, observa-se que a grande maioria dos indivíduos se vê obrigada a deixarem os estudos, para cuidarem dos afazeres de casa e até mesmo se submeterem ao trabalho.
Ademais, além da desigualdade social, a histórica opressão voltada as classes marginalizadas é um fator que impulsiona a saída precoce de jovens das instituições de ensino. Segundo o filósofo russo Mikhail Bakhtin, em seu conceito ‘’Teoria da Carnavalização’’, as classes dominantes buscam inferiorizar as classes minoritárias, tornando-as objetos cômicos, com o objetivo de ridicularizá-las. Similarmente, a situação vivenciada pelos grupos marginalizados é permeada de preconceito e violência, fazendo com que os mesmos vejam a evasão escolar como alternativa viável para o rompimento desse ciclo, mesmo que isso prejudique o futuro deles. Logo, práticas voltadas para o rompimento desse ciclo são fundamentais para a criação de um novo ambiente escolar, pautado no respeito e empatia.
Torna-se evidente, portanto, que a saída de alunos do ambiente escolar é uma problemática a ser resolvida. Assim, cabe ao Estado como encarregado de promover o bem-estar social resolver tal mazela, mediante investimentos no MEC (Ministério da Educação) que reformulará a Base Nacional Comum Curricular com foco na implementação de conteúdos voltados ao racismo e preconceito, visando a formação de uma geração engajada nas causas e que promoverão a minimização da desigualdade social. Outrossim, cabe aos pais o dever de debater a importância dos estudos com os seus filhos. Somente assim, a evasão escolar deixará de ser um problema na sociedade brasileira.