Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 16/11/2021
De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal de 1988, é dever do estado e da família garantir, para qualquer cidadão brasileiro, o acesso à educação. No entanto, essa não é a realidade vivenciada no país, já que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístita (IBGE), cerca de 52% dos jovens não concluem o ensino fundamental. Sob tal ótica, é imprescindível o debate sobre o elevado nível de evasão escolar brasileira que é consequência tanto da metodologia ultrapassada do ensino, como da desigualdade social no Brasil.
Nessa linha de raciocínio, é importante ressaltar que o sistema educacional brasileiro, principalmente no setor público, não só é verticalizado na relação aluno e professor, mas também, conteudista. Segundo o filósofo brasileiro Paulo Freire, considerado patrono da educação brasileira, deve existir uma relação horizontal, ou seja, uma relação que promove um diálogo e a troca de conhecimentos entre alunos e professores, com o objetivo de promover um ensino emancipador, capaz de gerar autonomia na formação do cidadão. Entretanto, essa realidade é distante do Brasil contamporâneo, o que traz, como consequência, a desmotivação do aluno em relação ao ensino.
Ademais, é oportuno ressaltar que a desigualdade social no país impede o direito à plena educação para todos os brasileiros, o que é uma garantia da Constituição Federal. Isso ocorre devido à necessidade por parte dos jovens brasileiros terem que ajudar financeiramente a renda familiar, obrigando-os a ingressarem precocemente no mercado de trabalho. Logo, muitos deles descontam o tempo gasto na vida econômica no período que deveriam estar nas escolas, aumentando, então, o número de evasões.
Fica evidente, portanto, a necessidade, por parte Governo Federal com o auxílio do Ministério da Educação, de uma aprimoração no sistema educacional através de uma revisão no plano de ensino brasileiro, de maneira a tornar a educação mais horizontal e emancipadora, com o propósito de motivar o aluno a frequentar às escolas. É necessário, também, que o orgão supracitado, por meio de políticas públicas, reduze as desigualdades sociais no Brasil, nação que possui um dos maiores valores no Coeficiente de Gini, em prol de diminuir a quantidade de jovens que se inserem no mercado de trabalho precocemente. Assim, a evasão escolar será um problema longe da realidade brasileira e a educação passará a ser um direito de todos.