Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 17/11/2021

Segundo um levantamento realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a última edição do ENEM foi a que obteve menor número de inscritos em 16 anos. Esse fato aponta para um tema já existente e preocupante na realidade brasileira: a evasão escolar. Agravada, principalmente, pela falta de infraestrutura de alunos durante a pandemia, essa problemática contribui para a manutenção da desigualdade social no Brasil.

Em primeiro lugar, é necessário pontuar que o ensino remoto foi adotado por inúmeras escolas durante a vigência do isolamento social, sendo as tecnologias de informática cruciais para a viabilização dos estudos à distância. Entretanto, de acordo com uma pesquisa do IBGE, uma parcela significativa da população é desprovida de internet, cerca de 4 milhões de estudantes. Consequentemente, muitos não encontraram meios de continuar os estudos, o que resultou em um aumento do número de indivíduos que postergou ou abandonou a ideia de ingressar em um curso de ensino superior, conforme ilustrado pelos dados da UFMG.

Por conseguinte, esse grupo de pessoas, que já era desfavorecido financeiramente, é privado, também, do ensino escolar. Este, para o pedagogo brasileiro Paulo Freire, é crucial no combate à estrutura desigual da sociedade, uma vez que permite a ascensão social de classe. Nesse sentido, a evasão escolar é um obstáculo ao processo gradual de tornar o Brasil um país mais igualitário, porquanto os que não provém da infraestrutura adequada — a exemplo do acesso à internet —, são impossibilitados de frequentar as aulas, que lhes poderiam render melhores oportunidades de trabalho no futuro. Assim, o abandono do estudo contribui para a persistência de uma estrutura social desigual.

É evidente, portanto, que a evasão escolar é resultado, sobretudo, da dificuldade que enfrentam os alunos de baixa renda em acessar as aulas e resulta em desafios ao aumento da mobilidade social. Por isso, é imprescindível que as empresas de fornecimento de internet ofereçam planos promocionais para consumidores mais carentes, em que o valor e o serviço serão divididos pela população, visando a tornar esse elemento mais acessível. Ademais, cabe às instituições de ensino incentivar o aluno aos estudos, mostrando-lhe as possibilidades de mobilidade social que a educação. Isso deve ser feito por meio de aulas e palestras acerca das ideias de Paulo Freire. Dessa forma, diminuir-se-ão os abandonos escolares, e os dados pessimistas da UFMG serão apenas lembrança de um passado amargo.