Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 19/11/2021

No filme “A menina que roubava livros”, de Markus Susak, o pai adotivo da pequena órfã Liesel Meninger lhe ensina a ler. Durante a narrativa, o autor aborda que por ter sido obrigada a parar de frequentar a escola, a prática de leitura constante da jovem ajuda Liesel a superar a sua solidão, relacionar-se com o mundo sombrio ao seu redor e se nutrir da esperança de dias melhores. Para além do cenário cinematográfico, a atual realidade enfrentada pelos brasileiros não está muito distante daquela mostrada no longa-metragem, visto que a evasão escolar no Brasil, ainda é uma verdade atual. Nesse âmbito, analisa-se que essa problemática é sustentada, sobretudo, pela desigualdade social e pela escassez de recursos.

De início, não há como promover o contato com a escola em uma sociedade marcada pela fome. Durante o Brasil Colônia, período histórico do século XVI, com a valorização e exploração dos escravos, o acesso à escola e às inovações tecnológicas era destinado apenas aos aristocratas -organização composta pelos nobres-. Entretanto, tais influências não trouxeram benefícios para o desenvolvimento do país, uma vez que a extrema pobreza e desigualdade social do Brasil, dá lugar à evasão escolar  e impossibilita o acesso de jovens e crianças no meio estudantil. Em suma, é desumano que haja pessoas em condições que as forcem a abandonarem a educação para trabalhar e sobreviver.

Além disso, nota-se que, apesar de muito relevante a aproximação social às escolas, há ainda dificuldades encontradas na sociedade. Na obra “O primo Basílio”, do escritor realista Eça de Queiroz, é demonstrado que lares desestruturados, alienação parental, dentre outros conflitos do convívio familiar, formam crianças incapazes de perceberem a importância da escola na vida profissional e acadêmica da população. Logo, enquanto a escassez de recursos se mantiver, é possível dizer que o progresso digital na educação brasileira será tardío e totalmente desigual. Em resumo, de acordo com a revista Veja, 45% da população do Brasil nunca teve acesso à educação, o que faz com que o país ocupe o quinto lugar no ranque de analfabetos.

Portanto, medidas devem ser tomadas para solucionar o entrave. Assim, o Governo federal, em parceria com órgãos midiáticos, deve apresentar à sociedade os prejuízos que podem ser gerados aos que não possuem acesso às escolas, por meio de propagandas e documentários instrutivos, como dados de pesquisas, a fim de eliminar os impactos negativos no cenário escolar. Detalhadamente, esse conteúdo deve ser publicado em sites e outdoors, por intermédio de ações que alertem à população a respeito dos danos que a evasão escolar traz. Desse modo, exemplos como o do filme “A menina que roubava livros”, serão mais frequentes em terras tupiniquins.