Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 18/11/2021

O seriado televisivo brasileiro “Segunda Chamada” retrata uma classe de alunos evadidos que, após ultrapassarem a idade escolar, voltam à rede de ensino para concluir seus estudos. Fora da ficção, a grave situação de evasão escolar enfrentada por diversos jovens no país, em sua maioria pobres, configura um problema de destaque na sociedade. Nesse prisma, destacam-se as limitações acadêmicas impostas pela má condição financeira e a desesperança na educação como meio efetivo de ascensão social. Destarte, é fundamental analisar os fatores que tornam essa problemática realidade.

Em primeira análise, evidencia-se o fator determinante da baixa renda familiar na perpetuação das evasões escolares em todo país. Segundo dados do Censo da Educação Básica, apenas 40% dos estudantes podem se dedicar integralmente ao ensino sem a necessidade de trabalhar. Assim, a grande maioria dos jovens, sofrendo com más condições monetárias e carregando responsabilidades domésticas, desiste da jornada dupla de trabalho e escola e decide por abandonar essa última. Logo, tem-se a vulnerabilidade financeira como estímulo à evasão e empecilho para a formação acadêmica no Brasil, cenário que demonstra a necessidade de políticas públicas.

Além disso, é notória a ausência de perspectivas futuras baseadas na educação nos estudantes brasileiros, os quais, majoritariamente, demonstram desinteresse pelos conteúdos formais e preferem alternativas mais “frutíferas”, como o trabalho remunerado ou os cursos profissionalizantes. Segundo o iluminista Immanuel Kant, o homem é apenas aquilo que a educação faz dele. Contudo, a dominação do espaço estudantil pelas classes mais altas desmotiva alunos periféricos que não se sentem pertencentes ao ambiente escolar ou ao conhecimento dito “intelectual”. Dessa maneira, a evasão aparece como alternativa viável de conquista de um local no mundo e de fuga de um academicismo das elites.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham incentivar a permanência de jovens brasileiros na escola. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, por meio de uma parceria com as Secretarias de Assistência Social dos municípios, custear uma bolsa quinzenal para estudantes de baixa renda que possuam alto desempenho escolar, de maneira a estimular e democratizar o conhecimento e a fim de driblar as evasões em massa que ocorrem nas escolas. Assim, uma realidade diferente da pintada em “Segunda Chamada” poderá ser construída por alunos ativos em suas redes de ensino.