Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/11/2021
De acordo com o filósofo brasileiro Paulo Freire, a educação além de construir conhecimento e levar informações, tansforma os indivíduos e o contexto onde estão inseridos. No entanto, ao analisar a sociedade brasileira atual e sua postura diante da evasão escolar, nota-se que essa transformação não tem chegado em alguns alunos. Dessa maneira, cabe considerar a negligência estatal em relação a grupos vulneráveis e a falta de contextualização prática dos conteúdos ministrados como fatores colaboradores para a problemática.
Em princípio, interessa lembrar que as instituições de ensino públicas, ofertadas pelo Estado, não oferecem apoio para alunos em vulnerabilidade. Isso porque, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Ministério da Educação, jovens de baixa renda, sendo a maioria negros, são os mais afetados devido a frequência em que trocam os estudos por trabalho. De certo, tal fato evidencia o cenário brasileiro em que o aluno deve escolher entre dar continuidade a vida acadêmica ou ajudar a suprir as necessidades de sua família. Logo, fica bem claro que a renda familiar está diretamente relacionada a evasão escolar.
Ademais, vale ressaltar que o modelo de ensino vigente no país é arcaico e desmotiva o estudante. Sob essa perspectiva, pode-se dizer que a nação brasileira usa o modelo tradicional de ensino difundido pela Europa entre os séculos XIX e XX, que consiste, basicamente, em um professor como elemento ativo que transmite saberes e o aluno como elemento passivo que absorve o conhecimento e tenta fazer a memorização dos assuntos ministrados. Sem dúvida, na contemporaneidade, essa forma de lecionar não é mais interessante devido ao avanço das tecnologias, é necessário construir conhecimento em conjunto por meio da contextualização dos temas tratados em aula e a aplicabilidade em situações do cotidiano. Dessa forma, é evidente que o sistema tradicionalista deve ser alterado.
Faz-se necessário, portanto, o combate da problemática. Para isso é imprescindível que o Ministério da Educação, como instituição formadora de consciência coletiva, por meio do Conselho Nacional de Educação, promova debates a respeito de novos modelos de ensino, baseado em estudos pedagógicos, para alterar as Diretrizes Curriculares Nacionais, a fim de tornar a sala de aula um ambiente mais interessante para os jovens. Além disso, cabe ao Governo Federal apoiar financeiramente famílias de baixa renda, por meio de auxílios, com o intuito de erradicar a evasão escolar. Com tais medida, pode-se esperar um Brasil mais justo.