Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/11/2021
No livro de Markus Zusak, “A menina que roubava livros”, Liesel vive com os pais adotivos na Alemanha Nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. A personagem é envergonhada quando vai pela primeira vez a escola por não saber ler e nem escrever, por isso seu pai adotivo a ajuda com as palavras e logo ela lê com perfeição e toma gosto pela leitura. No entanto, na época de Hitler era proibido ler, todos os livros foram queimados em uma fogueira no meio da rua, Liesel inconformada, rouba um livro caído no chão e o leva pra casa escondido em seu casaco. A história do livro está concatenada a realidade de milhões de crianças e jovens na contemporaneidade, visto que o analfabetismo e a evasão escolar são grandes estigmas sociais embora a Constituição Federal, no artigo 6, garanta o acesso à educação como direito social.
Nessa perspectiva, convém elucidar que no Brasil, as oportunidades educacionais não são ofertadas de forma igualitária. Segundo o G1, quase 1,4 milhão de crianças e adolescentes estão fora da escola, muitas vezes por questões de pobreza. Populações de baixa renda nem sempre podem focar nos estudos, pois a luta por comida e sobrevivência é o mais relevante, sendo que muitos jovens acabam sendo uma ajuda na fonte de renda. Sob esse viés, a teoria de que muitas dessas crianças e adolescentes poderiam utilizar a educação como meio de superação dessas desigualdades sociais as quais são submetidos, não é válida, pois necessitam abandonar a escola antes disso.
Outrossim, estudar não é algo atrativo para o jovem, que diante disso sente-se desmotivado por não ver na instituição de ensino um meio de ascensão social. Somado a isso, professores também fazem parte desse grupo, uma vez que pela negligência do Governo, recebem baixa remuneração salarial e assistem o setor educacional receber cada vez menos investimentos. Assim, são raros os casos em que professores conseguem engajar seus alunos e os convencer a não abandonar a escola, enfrentando todos os problemas.
Infere-se, portanto que, ainda há entraves para garantir a solidificação de soluções para minimizar os casos de evasão escolar e analfabetismo no Brasil. Dessa maneira urge que o Ministério da Educação e a mídia trabalhem em conjunto, mostrando pessoas que se realizaram através dos estudos, aumentando a remuneração dos educadores e executando a criação de monitorias em escolas públicas, com profissionais pedagógicos que possam receber em troca de amparo. Criação de projetos que cativem alunos e pais, além da construçãoo de berçarios e salas que atendam a demanda de adolescentes grávidas que se interressam pela educação. Assim o Brasil avançará e a taxa de evasão escolar reduzirá.