Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 14/08/2017
Depois de muitos anos de ações e políticas públicas, o acesso à educação básica foi quase que integralmente democratizado. Entretanto, embora alguns planos governamentais requeiram a frequência do aluno na escola, dados coletados pelo movimento “Todos pela Educação” alarmam: 46% dos jovens brasileiros não conseguiram concluir o Ensino Médio até os 19 anos. Nesse contexto, deve-se analisar como o trabalho infantil e o desinteresse dos alunos influenciam na perpetuação da evasão escolar.
O ingresso precoce ao mercado de trabalho – herança cultural da Revolução Industrial – é um dos principais fatores que influenciam na evasão escolar. Isso acontece porque, de acordo com Maria Rehder, coordenadora de projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a maioria dos que estão fora da escola são afrodescendentes, quilombolas, indígenas, deficientes e vítimas de explorações, como o trabalho infantil. Com isso, diante da necessidade de ajudar nas despesas de casa ou de suprir as próprias necessidades básicas, muitas crianças optam por trocar o lápis e o caderno por um trabalho inapropriado para sua idade, tal como narrado na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos.
Contudo, apesar de o trabalho infantil estar intrinsecamente ligado à evasão escolar, pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas mostrou que 40% dos casos de desistência são motivados pelo desinteresse. Isso se deve ao fato de que, segundo depoimentos coletados para o documentário “Ausentes: evasão escolar no ensino médio” (2016), a falta de expectativa de um próspero futuro financeiro junto à imaturidade na tomada de decisões acabam desestimulando a permanência dos alunos em sala de aula. Isso faz com que o futuro mercado de trabalho do aluno evadido, em decorrência da baixa escolaridade, se torne limitado.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da evasão escolar precisa ser revista. A princípio, é importante que os setores de assistência social das Secretarias Municipais de Educação realizem visitas frequentes às famílias de alunos evadidos, além de abrir um canal para denúncias de crianças e jovens vistos fora de ambiente escolar quando deveriam estar. Ademais, é fundamental que o Ministério da Educação, juntamente com as escolas, realize feiras de profissões, como forma de incentivar o interesse pelo estudo e construir o pensamento da necessidade da escola para o crescimento profissional, social e cívico do aluno. Dessa forma, a evasão escolar pode ser cessada e a justiça social proposta por Thomas Hobbes pode ser efetivada.