Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 17/08/2017

A escola é o núcleo social mais importante para a inserção das crianças como agentes modificadores na sociedade. Apesar das estatísticas explicitarem significativa queda na evasão escolar, ela ainda é uma realidade no país, os jovens comumente abandonam esse ambiente em virtude de um sistema educacional fracassado e da falta de planejamento familiar, acarretando prejuízos análogos à queima de milhares de bibliotecas de Alexandria e aumento da violência urbana.

Tal qual a terceira lei de Newton, a lei da ação e reação, o despreparo da escola e da família ao lidar com os jovens tem perpetuado um hábito demasiadamente ruim, o do abandono educandário. Mais de 5 milhões de crianças sem o nome do pai no registro, mães sobrecarregadas com jornadas duplas e salários insuficientes para prover o sustento, esses são alguns dos problemas enfrentados pele atual família brasileira, num ambiente como esse, muitas crianças crescem sem a presença dos pais enquanto educadores. Aliado a tal realidade, observa-se, consequentemente, um sobrepeso nas funções das instituições educacionais, que por sua vez, constam de uma pedagogia arcaica e padronizada que enquadra num mesmo sistema estudantes com realidades e necessidades diferentes, além de aplicar um ensino massante, sem ligação com o cotidiano.

De tal maneira, observamos como reação à tais ações citadas, o afetamento de todas as esferas sociais. Semelhante à formação de rochas sedimentares, que ocorre lentamente através de pequenos fragmentos, é a construção do senso crítico no ser humano. Nos quais os fragmentos são os saberes passados pelo ambiente familiar e escolar. Na ausência de criticidade, o indivíduo fica mais suscetível ao erro, sendo assim, a vulnerabilidade para o envolvimento de jovens na vida do crime, uso de drogas ilícitas e gravidez na adolescência é muito maior se comparada àqueles que têm nas instituições familiares e de ensino um pilar na construção do caráter. Portanto, quando uma criança abandona o colégio, todos nós sofremos com a perda de potenciais cientistas, acadêmicos, esportistas e etc.

A fim de conter o impasse, é indubitável que a Receita Federal destine maior capital para o ensino com a finalidade de que o Ministério da Educação reforme o sistema acadêmico ouvindo alunos e professores através de enquetes onlines, além de implementar um contato mais íntimo entre eles através de visitas aos lares dos estudantes juntamente com o Conselho Tutelar para criar laços entre os familiares e os docentes e reconhecer os possíveis problemas que as crianças enfrentam em casa. Apenas sob tal perspectiva, poder-se-à cessar a queima de milhares de bibliotecas de Alexandria no Brasil.