Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 18/05/2022
O artigo 6° da Constituição Federal Brasileira de 1988 garante a todos os cidadãos o direito à educação. No entanto, na prática, tal proteção não é assegurada adequadamente, tendo em vista a questão da evasão escolar no Brasil. Dessa maneira, a negligência estatal e a desigualdade social são os dois principais fatores que corroboram com essa problemática.
A princípio, vale ressaltar que a dispersão do ambiente escolar é uma consequência da imperícia do Estado. Nesse sentido, segundo o filósofo contratualista John Locke, o bem-estar social é um dever da máquina administrativa. Entretanto, nota-se o descumprimento dessa tese, já que a educação pública em todo o território nacional é precária e não dá aos estudantes a base necessária para que os mesmos tenham uma boa qualificação profissional no futuro. Além disso, a falta de professores associada a uma grade curricular que desatende as necessidades dos alunos comprova que a inoperância estatal intensifica o desinteresse no âmbito educacional.
Ademais, cabe apontar que a desproporção econômica impulsiona a questão da evasão escolar. Nessa lógica, no livro “Quarto de despejo” a ilustre escritora Carolina Maria de Jesus, demonstra em seu diário a disparidade de oportunidades que existe entre a classe alta e baixa. Dessa forma, deve-se destacar que inúmeros estudantes de renda baixa, abandonam a escola por serem obrigados a ingressarem no mercado de trabalho precocemente. Sendo assim, quando a educação não é oferecida de forma igualitária, os jovens excluídos do cenário estudantil optam por alternativas secundárias, como a criminalidade.
Portanto, faz-se imprescindível que medidas sejam tomadas para reverter esse contexto. Assim sendo, cabe ao Ministério da Educação contratar novos professores e inserir debates acerca dos problemas presentes na sociedade através de alterações na Base Curricular Comum, as quais afetarão todas as disciplinas, de modo a formar cidadãos éticos e desejosos por uma educação pública de qualidade. Ademais, compete ao mesmo Ministério criar um auxílio estudantil para que os alunos de baixa renda permaneçam na escola sem precisar trabalhar. Posto isso, todos os brasileiros terão acesso ao direito da educação.