Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/04/2022

O educador Paulo Freire em sua obra “Pedagogia do Oprimido (1978)” crítica e reflete a política da educação, seus empecilhos, desafios etc. De modo análogo, um dos principais problemas que a educação brasileira enfrenta é a evasão escolar, que é um reflexo da desigualdade social e da negligência do Estado. Assim sendo, faz-se necessário analisar as causas do abandono escolar no Brasil.

Em primeiro plano, é preciso analisar as principais causas da evasão escolar. Segundo os dados do IBGE e do MEC(Ministério da Educação), aproximadamente 52% dos adolescentes não se formam no colégio, sendo os principais grupos a deixarem a escola os jovens de baixa renda( em sua maioria negros) e mulheres grávidas. A principal causa do abandono escolar é a desigualdade social, uma vez que os cidadãos de classe baixa optam por procurar um emprego (ainda que precário) do que completar os estudos, e as jovens grávidas por não terem fácil acesso aos métodos contraceptivos e baixa perspectiva do futuro. Contudo, fica nítido que, quanto maior for a renda, maior será o avanço nos estudos, reforçando a ideia da desigualdade social como causa fundamental.

Em segundo plano, é preciso questionar a postura do Estado frente ao abandono escolar. A este respeito, o filósofo John Locke disserta que a arena pública deve garantir os direitos naturais dos cidadãos, dentre eles o direito da educação. A inserção precoce no mercado de trabalho impede que os jovens tenham acesso à uma base escolar, e isto é um indicador da negligência do Poder Público, que não está garantindo os direitos básicos à estas pessoas, configurando, para Locke, a chamada quebra do “Contato Social”. Portanto, é necessário que o Estado tome as providências cabíveis para garantir que todos os jovens tenham direito à educação.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para solucionar este impasse. Assim sendo, cabe ao MEC, juntamente com o Governo reformular os projetos de leis que garantem o acesso a educação, por meio de verbas governamentais, a fim de melhorar e assegurar que todos os jovens tenham acesso à uma base escolar. Tal ação pode, ainda, reduzir o índice de jovens que abandonam a escola. Desta forma, a crítica feita por Paulo Freire não terá mais relação com a educação brasileira.