Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 15/05/2022

O filme brasileiro “Que horas ela volta?” retrata a desigualdade de oportunidades educacionais entre as classes sociais, quando Jéssica, filha de empregada doméstica, se muda para a cidade grande com o objetivo de prestar vestibular. Fora da ficção, tais dificuldades estão presentes na realidade do país, visto que disparidade econômica influencia diretamente na educação, tal como na evasão escolar. A partir desse contexto, é necessário discutir a principal causa do abandono da escola, bem como sua maior consequência para a sociedade.

Nesse sentido, a situação financeira possui grande influência no ato de desistência do ensino básico. Prova disso recai do alarmante dado coletado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em que 12% dos jovens mais pobres estão fora da escola, enquanto entre os mais ricos esse número cai para 1,4%. Diante disso, adolescentes se encontram na necessidade de trabalhar ainda em idade escolar, a fim de complementar a renda da família. Ademais, a falta de informação sobre a importância do ensino básico e as dificuldades de acesso à escola, para essa parte desfavorecida da população, agravam esse cenário.

Outrossim, o abandono escolar tem como reflexo direto a dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Pessoas que não terminam a escola tendem a ocupar menores cargos e empregos informais, em sua imensa maioria com baixa remuneração. Entretanto, se um jovem pobre abandona a escola, cria-se uma cadeia, em que ele não ascende socialmente, visto que não consegue um emprego com um bom retorno financeiro e seus descendentes certamente passarão pelo mesmo. Logo, na lógica do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, em que defende que a educação é a melhor forma de mudar o mundo, a sociedade não seria capaz de evoluir devidamente com a evasão escolar numerosa em questão.

Portanto, a evasão escolar precisa ser revertida. Para isso, cabe ao Ministério da Educação fornecer recursos para garantir a permanência dos alunos nas escolas. Tal ação deve ocorrer por meio de um Projeto Nacional de Incentivo à Escola, o qual irá contar com palestras sobre o assunto e apoio financeiro para as famílias que necessitarem. Isso será feito a fim de conter o impacto social desse problema. Afinal, casos como o de “Que horas ela volta?”, precisam ser reduzidos.