Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 24/06/2022

De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto " As cidadanias mutiladas", a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. No entanto, o alto índice de evasão escolar - cujas causas estão ligadas à indiligência governamental e à aspectos socioeconômicos da população - mostra que não há democratização do direito à educação no Brasil.

A princípio, é imperativo notar que a indiligência estatal aumenta a evasão, pois a falta de transporte escolar é considerada um dos principais fatores que dificultam o acesso à escola, segundo o MEC. Tal contexto de inoperância exemplifica a teoria das instituições zumbis - que existem na sociedade, mas não cumprem sua função eficazmente -, do sociólogo Zygmunt Bauman. Sob essa ótica, devido à insuficiênte atuação das autoridades, os jovens (principalmente da zona rural) são impedidos de frequêntar o colégio.

Em segundo plano, nota-se també que a condição socioeconômica de uma família impacta negativamente na taxa de abandono estudantil, pois quanto menor a renda familiar, maior a chance de o adolescente optar por trabalhar em lugar de completar os estudos. Em contrapartida, segundo dados do IBGE, elevar a escolaridade dos jovens e ampliar sua qualificação pode facilitar sua inserção no mercado de trabalho, reduzir empregos de baixa qualidade. Dessa forma, se os jovens focassem em sua qualificação, no futuro garantiriam melhores condições para a família.

Em suma, a evasão escolar no Brasil é um problema causado, tanto pela ineficácia do Estado quanto pelas dificuldades financeiras do indivíduo. Dessarte, a fim de diminuir o índice de abandono estudantil, o governo deve - por meio de verbas públicas - disponibilizar o transporte escolar, ao mesmo tempo que deve promover campanhas sobre a importância da escolaridade na média salarial.