Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/06/2022
Segundo a Constituição Federal de 1988, a educação é um direito de todos os indivíduos. No en-tanto, no contexto da realidade brasileira atual, tal garantia é deturpada, uma vez que a má quali-dade de ensino promove um cenário preocupante de evasão escolar. Com isso, ocorre uma persis-tência da desigualdade social, tornando-se necessária a adoção de medidas capazes de reverter esse quadro.
Em primeiro lugar, é importante destacar o conceito de “educação bancária”, elaborado pelo edu-cador brasileiro Paulo Freire, o qual critica a forma de transmissão passiva de conteúdos do profes-sor, sendo aquele que supostamente tudo sabe, ao aluno, assumido como aquele que nada sabe. Logo, é possível relacionar o modelo tradicional de aprendizagem das instituições públicas de ensi-no à evasão escolar, uma vez que formenta o desinteresse e a falta de identificação do aluno com o método. Por exemplo, o filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, ao retratar a história do professor John Keating, que ajuda os estudantes a se conhecerem melhor e se reinventarem, ressalta a im-portância da escola em mostrar aos alunos novos pontos de vista sobre as diversas esferas da vida, para a melhoria de seu interesse e consequente permanência estudantil.
Ademais, é válido salientar a evasão escolar como fator de manutenção da desigualdade social. O livro “Quarto de Despejo” retrata a realidade de sofrimento, angústia e fome que passou a autora Carolina Maria de Jesus, sendo moradora da favela, catadora de lixo e semi-analfabeta, pois preci-sou deixar a escola tendo concluído somente a segunda série do ensino fundamental. Dessa forma, ao abandonar a escola, seja pela dificuldade de acesso, seja pela substituição dos estudos por um trabalho precário, muitos brasileiros têm sua ascensão social dificultada, uma vez que a conclusão do ensino médio aumenta as chances de se conseguir um emprego melhor remunerado e com mais benefícios, por exemplo.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação elaborar um modelo dinâmico de ensino, por meio de conferências de professores, a fim promover o autoconhecimento dos alunos para que possam se identificar melhor com os estudos. Ainda, é conveniente ao Governo Federal direcionar recursos ao sistema educacional, mediante uma agenda econômica que vise apoiar a permanência estudantil dos alunos de baixa renda, garantindo, assim, o direito à educação para todos, além de sua futura inserção no mercado de trabalho e consequente elevação social.