Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 21/07/2022

No livro “Pedagogia da autonomia”, do educador e filósofo Paulo Freire, é apresentado dois tipos de educação, a “bancária”, conteudista, e a libertadora, marcada pela aprendizagem na autonomia do aluno. Nesse contexto, pode-se perceber que pela educação brasileira ser historicamente focalizada no tipo “bancário”, é gerado um desinteresse com essa estrutura por parte do aluno, que pode sair precocemente da escola por esse motivo, causando a privação da educação que ameaça a cidadania do indivíduo.

Primeiramente, vale analisar a origem da evasão escolar no Brasil. De acordo com Paulo Freire, o sistema educacional brasileiro é historicamente conteudista. A partir desse pensamento, é inegável que a base curricular do país sempre valorizou um ensino padronizado, pluralista e extenso, ignorando as necessidades e os talentos individuais do estudante. Assim, gera-se o desinteresse e até trauma do indivíduo com as escolas, por não se identificarem ou não enxergarem a importância das matérias dadas no seu futuro e no seu cotidiano, ocasionando a sua saída previa de tais instituições de ensino.

Ademais, é intrínseco ressaltar a principal consequência sociopolítica que essa problemática provoca. A Constituição federal de 1988, garante a educação como “direito de todos e dever do Estado”. Porém, quando se observa a realidade brasileira, evidencia-se o descuido do Estado na asseguração da cidadania do povo, uma vez que há uma falha na sustentação do direito educacional das pessoas que, precocemente, saem das escolas. Mostrando uma ameaça à cidadania que provoca um déficit nos direitos sociais mais facilmente adquiridos com o acesso à educação — como oportunidade de trabalhos — causando uma vulnerabilidade social a essa margem populacional.

Diante do exposto, nota-se que medidas são necessárias para diminuir as taxas de evasão escolar no Brasil. Com o intuito de promover o interesse do aluno com a escola, afirmando sua cidadania, o Ministério da Educação deve reformular a grade educacional, por meio da implantação de especialistas da área — principalmente aqueles inspirados por Paulo Freire, que, por exemplo, aprofunde os conteúdos dados ao cotidiano do aluno.