Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 25/08/2022
Aristóteles, filósofo grego, afirmava: “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.”. De fato, ao relacioná-la com o cenário educacional brasileiro hodiernamente, nota-se que a evasão escolar sobrevém como uma raiz amarga da qual, se superada, emergirá o progresso social decorrente de uma educação consolidada. Porém, é necessário admitir que o óbice supracitado é reflexo de um problema racial e socioeconômico, como também de um ensino deficiente, para, então, buscar formas de solucioná-lo.
Em primeira análise, vale ressaltar que a população recém liberta do regime escravocrata deparou-se com dificuldades para frequentar a escola. Por isso, apesar de os avanços sociais minimizarem tal marginalização, constata-se ainda que a ausência do ambiente escolar é vivenciada, majoritariamente, por essa população, como demonstra os dados do PNAD-19, os quais declaram estudantes negros como 71,4% das crianças e adolescentes fora da escola. Desse modo, embora a Constituição Federal exponha a educação como direito de todos e dever do Estado, esses indivíduos são negligenciados pelo poder público em razão da herança histórica, contribuindo, assim, para a perpetuação da problemática.
Ademais, é lídimo ater-se a deficiência do ensino como um dos fatores pertecentes a evasão escolar. Isso pode ser exemplificado com dados do relatório “Uma epidemia silenciosa” produzido em parceria com a fundação Gates nos Estados Unidos que afirma a disparidade entre o conteúdo ministrado em sala de aula e o mundo real como algo decisivo em 81% dos jovens que evadiram a escola. Diante disso, indubitavelmente, o currículo escolar gera desinteresse ao estudante que, por sua vez, evade a escola.
Portanto, são essenciais medidas que revertam o preocupante cenário. Para tal, cabe ao Poder Executivo - responsável pela aplicação da Lei – maximizar os esforços para atrair e fortalecer os estudantes negros nas escolas a partir de programas de busca ativa com o intuito de nulificar o percentual dessa população que evade. Além disso, o Poder Legislativo deve propor uma revisão do currículo escolar nacional, a fim de reverter o desinteresse dos alunos. Assim, busca-se colher os frutos doces da educação como conceituou Aristotéles.