Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 14/09/2017

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, o acesso á educação é um direito garantido a todo menor de idade. Entretanto, apesar do aparato legal, o Brasil ainda apresenta uma realidade de evasão escolar muito expressiva. Essa falta de aplicabilidade da lei deve-se ao forte cenário de desigualdade econômica presente na sociedade brasileira.

Sabe-se que há um desequilíbrio no padrão de vida da população, gerado pela distribuição heterogênea de renda, que leva a entrada cada vez mais precoce de jovens em idade escolar no mercado de trabalho. Isso ocorre pela necessidade, cada vez mais frequente, de completar o orçamento de casa. Segundo o estudo Aprendizagem em Foco, entre alunos que não completaram o ensino fundamental, a renda familiar por pessoa é de R$ 436,00. Essa dupla jornada exaustiva acaba levando o aluno a ter que optar pelo emprego e abandonar a escola.

Além disso, a dificuldade financeira acaba por afetar não somente o adolescente, mas também compromete a permanência de crianças na escola, visto que os responsáveis não encontram subsídios para mante-las indo as aulas. Motivos como falta de dinheiro para material escolar, transporte e, até mesmo, vestuário são efeitos da incapacidade de arcar com as despesas domésticas e ainda ter condições para investir em educação. Nesse prisma, o direito á educação básica acaba não sendo garantido e cria-se, a longo prazo, um subgrupo com alta probabilidade de inserção precário o mercado de trabalho.

Diante disso, percebe-se que o acesso á educação não é somente um direito a ser assegurado, mas uma realidade a ser conquistada. Medidas como, pela Secretária de Educação, usar o Fundo Nacional de Educação para criar bolsas estudantis para alunos maiores de 14 anos - idade em que já não é obrigatório a frequência escolar - garantiria um auxilio financeiro a jovens de baixa renda, Utilizando o Estados Unidos como exemplo, oferecer bolsas esportivas, artísticas e de pesquisa para criar um complemento de renda oriundo dos esforços acadêmicos. Somando-se a isso, pelo mesmo órgão com ajuda do Governo Federal, aprimorar o auxílio financeiro a famílias de crianças, além de mapear com assistentes sociais o motivo de evasão de cada caso. Assim, garantir um projeto que, a longo prazo, serva como medida efetiva no combate a desigualdade social.