Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 12/09/2022
O Artigo 6 da Constituição Federal de 1988, delimita a educação como direito básico e inalienável. No entanto, tal direito se mostra utópico, haja vista o sucateado e excludente sistema educacional que tem como fruto a evasão escolar, deixando jovens excluídos de seu direito básico. Tal problemática possui raízes na precária infraestrutura do sistema de ensino e na elitização da educação.
Diante desse cenário, a carente infraestrutura de ensino representa forte obstáculo no combate a evasão escolar. Nesse contexto, o escritor Sergio Buarque de Holanda, descreve em sua teoria: “Amadorismo brasileiro”, que o Brasil ,desde sua independência, nunca teve êxito nas instituições básicas -a exemplo da educação-. Dessa forma, o descaso do poder público no que concerne o desenvolvimento do sistema educacional representa o amadorismo descrito pelo autor, uma vez que a ausência de condições básicas para o estudo acarreta na evasão escolar. Tal situação tornou-se nítida na pandemia do Covid-19, em que o ensino ficou restrito ao meio digital, e os estudantes que não possuíam acesso à internet foram impossibilitados de estudar.
Além disso, a educação se mostra restrita à população que possui condições para arcar com o “custo” de estar na escola. Nessa perspectiva, a banda de rap nacional Racionais Mcs, faz uma analogia em sua canção “Nego Drama”, aonde o caderno do jovem periférico é o fuzil. Sob esse viés, a realidade financeira na qual os jovens devem optar por estudar ou trabalhar é o principal fator para a evasão escolar e ,além disso, é porta de entrada para o mundo do crime. Assim, enquanto a educação for sinônimo de elitização, a evasão escolar será regra.
Portanto, com vistas a combater a evasão escolar e promover o acesso a educação básica, o Ministério da Educação, deve implementar um projeto de permanência institucional, por meio de projetos escolares remunerados, como por exemplo, o ensino a colegas que possuam dificuldades em determinadas matérias, em que o estudante ajuda o próximo e recebe um valor para suporte de custos, com a finalidade de coibir o trabalho infantil e a evasão escolar. Ademais, o poder público deve destinar verbas para a compra de novas tecnologias e infraestrutura de escolas. Para que assim, o direito constitucional seja efetivado.