Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 19/09/2022

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, as instituições escolares, por promoverem a socialização dos indivíduos, são fundamentais em uma sociedade. Entretanto, no Brasil, essa percepção da importância do meio educacional não tem sido contemplada por grande parte da população. Essa realidade é perceptível em elevados números de abandono escolar, tornando necessária a adoção de medidas que possam reverter essa problemática.

Em uma primeira análise, entender a razão que leva um jovem a estar fora da escola é essencial para se chegar a um diagnóstico. De acordo com dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), estudantes negros e indígenas de 4 a 17 anos correspondem a mais de 70% das crianças e adolescentes fora da escola nesta faixa etária. Desta forma, pode-se entender que o avanço escolar está ligado às questões raciais e socioeconômicas, mostrando a persistência da desigualdade em indicadores educacionais e econômicos.

Ademais, aliada a essa desconformidade, a falta de investimento na estrutura de escolas públicas em conjunto com a dificuldade de acesso encontrada por estudantes, principalmente de áreas periféricas, são razões que potencializam a piora do quadro de evasão escolar. Outro fator que favoreceu esse cenário foi a pandemia da COvid-19, uma vez que, além de causar o aprofundamento das desigualdades sociais, afastou os alunos das instituições, enfraquecendo suas conexões com a educação.

O combate ao enfraquecimento da frequência escolar deve surgir, portanto, a partir da inserção, em todos os estados do país, de metodologias intersetoriais desenvolvidas por secretarias municipais, tanto de Educação quanto de Assistência Social, que tenham o objetivo de monitorar estudantes em risco de abandono e desenvolver estratégias coerentes com a realidade local, facilitando, assim, a permanência escolar de grande parte dos brasileiros.