Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 17/10/2022
No filme “A menina que roubava livros’’, do diretor australiano Markus Susak, o pai adotivo da órfão Liesel Meminger a ensina a ler e, durante essa narrativa a leitura constante a ajuda a superar sua solidão, relacionar-se com o ‘’mundo sombrio’’ ao seu redor e se nutrir da ‘’vontade’’ de dias melhores. Para além do cenário cinematográfico, a realidade enfrentada pelos brasileiros está muito distante daquela mostrada nesse longa-metragem, visto que os desafios na evasão escolar são uma verdade. Nesse âmbito, analisa-se que essa problemática é sustentada, sobretudo, pelo descaso público e pela falha educacional.
De início, deve-se ressaltar que não há como manter o contato com a escola em uma sociedade marcada pela inoperância estatal que é um fator preponderante para o afastamento de jovens na educação. Durante o Brasil Colônia, período histórico do século XVI, com o aumento da valorização dos escravos, o acesso à escola e à alfabetização de qualidade era destinado apenas aos aristocratas -organização composta pelos nobres. Entretanto, essas influências não geraram benefícios para o desenvolvimento do país, uma vez que os cidadãos de baixa renda não possuem mecanismos e condições financeiras para o letramento familiar, o que os leva ao abandono de hábitos eficazes na construção de um território melhor. Isso ocorre porque, historicamente, os governos não os tratam como prioridades, o que os obriga, muitas vezes, a continuarem à mercê da precariedade do sistema de educação.