Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/10/2022

Segundo Paulo Freire, a educação não é uma mera transmissão de informações, mas sim o principal instrumento responsável por transformar os indivíduos. Contrária ao pensamento do educador, no entanto, a realidade brasileira apresenta um cenário divergente, pautado, por exemplo, no aumento da evasão escolar. Infere-se, sob esse viés, que a passividade do Estado, concomitantemente à falta de políticas públicas concretas, corrobora, decerto, a perpetuação da problemática, sendo fundamental promover ações capazes de mudar tal panorama.

A priori, vale ressaltar a gravidade do assunto. Conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o índice de jovens que abandonaram os estudos, em 2021, foi de 5,6%. Estima-se, evidentemente, que a pandemia de COVID-19 participou no aumento desses números, uma vez que a falta de assistência governamental para com as escolas da rede pública impediu, de fato, a migração do ensino presencial para o remoto de maneira eficiente. Outrossim, a inclusão digital precária também corroborou a desistência dos alunos, salientando, assim, a desigualdade social.

Além disso, a ausência de políticas estatais eficazes é, indubitavelmente, outro contribuinte para a continuidade do problema. De acordo com o conceito de cidadania mutilada, elaborado por Milton Santos, a democracia só é efetiva a medida em que atinge a totalidade do corpo social. Nota-se, desse modo, que a discrepância no percentual da evasão escolar entre os alunos de classe baixa e aqueles cuja renda é elevada exemplifica, por certo, uma ameaça democrática, tendo em vista que a parcela vulnerável da sociedade não desfruta plenamente do direito assegurado pela Constituição.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Com o intuito de atenuar os efeitos negativos da temática sobre a sociedade, é dever do governo federal, por meio da implementação de projetos de auxílio à educação, garantir que a verba direcionada à área seja aplicada na melhoria da estrutura das escolas públicas. Ademais, cabe ao Ministério da Educação fomentar campanhas de incentivo, visando a concretização das ideias freirianas e a evolução social.