Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 08/11/2022
Na obra “Utopia”, o escritor Thomas More retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que o autor narra, tendo em vista o alto índice de evasão escolar. Sob esse viés, é crucial analisar as causas desse revés, entre as quais se destacam a omissão estatal e a pobreza que assola o país.
Nesse contexto, é válido destacar como a inoperância estatal colabora para a per-petuação do problema. Isso ocorre porque, como já mencionado nos estudos da antropóloga Lilia Schwarcz, há uma prática de uma política de eufemismo no Brasil, ou seja, determinados assuntos tendem a ser suavizados e não recebem a atenção necessária pelo poder público. Nesse sentido, a realidade brasileira exemplifica a visão da antropóloga, visto que, mesmo com a necessidade de diminuir o número de evasão escolar, não existe uma plena mobilização que atenda. Isso fica evidente nos dados da pesquisa do IBGE, o qual afirma que 1,3 milhão de jovens abandona-ram as escolas. Assim, é urgente a mudança de postura por parte do Estado.
Ademais, a formação do país foi marcada por uma colônia de exploração que, desde o século XVI, promove desigualdade de renda e miséria. Nesse ínterim, o cida-dão acostumou-se a viver com recursos escassos e com oportunidades limitadas e que, muitas das vezes, precisou abandonar os estudos para trabalhar, esse aban-dono é maior quando os jovens são de baixa renda e negros, segundo a pesquisa do Ministério da Educação. Desse modo, a educação não é prioridade em uma nação oprimida pela exploração colonial.
Portanto, é necessário medidas capazes de mitigar essa mazela. Para tanto, o Estado, no desenvolvimento de sua função de garantir o bem-estar da coletividade, deverá criar um auxílio para as famílias de baixa renda, a fim de diminuir a neces-sidade dos filhos trabalharem. Tal ação poderá ser realizada por meio de maiores investimentos em programas sociais. Destarte, espera-se alcançar uma sociedade perfeita como a retratada por Thomas More na sua obra “Utopia”.