Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 21/09/2017

O filme Mãos Habilidosas narra a história verídica de Bem Carso, um estudante negro e filho de uma emprega doméstica, que com o apoio de sua mãe e dedicação própria aos estudos pode mudar sua história de vida. Bem Carso tornou-se o primeiro neurocirurgião a realizar a separação de gêmeos unidos pelo encéfalo e é um referencia no assunto. Sua história apenas serve de exemplo para mostrar o quão importante é a educação na vida de um indivíduo, no entanto o futuro de muitas crianças e jovens é usurpado e este abandono da vida escolar só serve para alimentar a taxa de evasão escolar, em âmbito brasileiro, e dar continuidade ao ciclo da pobreza.

Um dos grandes motivos para ocorrer a evasão escolar é de caráter financeiro. As famílias de baixa renda, ao precisarem melhorar o faturamento familiar, muitas vezes retiram seus filhos da escola e os destinam ao mercado trabalho ou, ainda, os filhos não sabendo lidar com a jornada laboral e escolar acabam abandonando os estudos, por conseguinte, criando adultos sem grande nível de escolaridade. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) há 1,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos que deixaram a escola sem concluir os estudos, dos quais 52% não concluíram sequer o ensino fundamental e esses números convergem para a continuidade do subemprego e até o aumento da criminalidade e miséria – já que a falta de escolaridade é um fator presente nestas realidades.

Além da necessidade de trabalhar; a gravidez na adolescência, escolas deficitárias, carência de transporte escolar e a própria falta de interesse ou dificuldade de aprendizado são alguns dos agravantes que atrapalham a permanência do aluno na escola. Para mudar esse cenário da educação brasileira é necessário esforços das várias esferas sociais: a família, a escola e o Estado devem estar adstritos em prol da causa, conforme disse o economista social Arthur Lewis “a educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido”.

Dessa forma, a família deve apoiar e incentivar frequentatividade da criança/adolescente à escola, assim como a mãe de Bem Carson fez. A escola, por outro lado, deve criar oficinas voltadas para melhorar o aprendizado e também a criação de locais de lazer/prática de escolar/aulas de teatro ou música com a finalidade de atrair o aluno a participar do ambiente escolar e consequentemente ampliar seu interesse nos estudos. Já o Governo deverá, seguindo a lógica do economista Arthur Lewis, costear as medidas incrementadas pelas escolares e destinar mais recursos ao transporte escolar e ao programa Bolsa Escola que poderá ser obtido pelos alunos com frequência e boas notas, pondo fim à necessidade de sair da escola para trabalhar e a evasão escolar.