Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/10/2022

Em seu célebro livro “Cidade de Deus”, o escritor brasileiro Paulo Lins aborda a realidade de jovens moradores de uma comunidade no Rio de Janeiro, cercados pela criminalidade que, em decorrência de situações adversas, abandonam o ambiente pedagógico. Nesse sentido, a temática da obra está intimamente conectada à sociedade brasileira contemporânea, uma vez que a evasão escolar têm se tornado um problema bastante recorrente. Portanto, torna-se necessária a análise desse impasse, buscando suas causas, consequências e possíveis soluções.

Primeiramente, é importante ressaltar que, o Brasil apresenta uma segregação socioespacial severa, oriunda dos períodos coloniais. Embora os jovens de camadas menos favorecidas da população ingressem na escola, por uma série de favores, como a necessidade de trabalho pela falta de recursos financeiros, gravidez na aolescência e a inacessibilidade de transporte, eles são obrigados a abandoná-la. Sem uma formação escolar completa, há a perpetuação da pobreza devido a empregos mal remunerados, e muitos recorrem à criminalidade.

Além disso, embora a Constituição Federal de 1988 assegure a educação como um direito para todos, a pandemia do covid-19 ressaltou um cenário distoante. Conforme afirmam dados do IBGE de 2022, os índices de evasão escolar entre jovens aumentaram em 171% durante a crise. Ao adotar a manutenção das aulas online sem o devido suporte, o Estado agiu de maneira errônea para com os menos favorecidos que, muitas vezes, sequer dispunham de recursos para acompanhá-las.

Diante dos argumentos supracitados, torna-se necessária a atuação do Estado, por meio da fiscalização dos casos de abandono escolar, aplicando multas à empresas que contratarem jovens com jornadas de trabalho que impactem suas vidas estudantis. Ademais, o Poder Legislativo deve agir em conjunto com os ministérios da Economia e Educação, direcionando verbas - inclusive as obtidas através das multas referidas - para a criação de projetos que visem a assistência estudantil dos menos favorecidos, buscando a redução dos índices de evasão. Dessa forma, será possível a erradicação paulatina dessa problemática, e a construção de uma sociedade mais distante daquela retratada por Paulo Lins.