Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 23/10/2022

O relatório “Cenário da exclusão escolar no Brasil”, divulgado em 2017 pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância e Adolescência, revela que existem hoje no país 2,8 milhões de crianças e adolescentes fora da escola. E embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistentes referentes à evasão escolar, elas se restringem, de forma geral, ao plano teórico, confirmando o raciocínio do jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “O cidadão de papel”, no qual declara que há dificuldades e despreocupação em efetivar direitos básicos, os quais já são garantidos pela Constituição. Nesse sentido, o abandono escolar expõe a inefetividade governamental, além de revelar a má distribuição de renda.

Sem dúvidas, um dos desafios para garantir a educação básica no território brasileiro é a negligência estatal. Desse modo, segundo o contratualista Jonh Locke, existe um contrato social que garante a dignidade e a proteção do indivíduo. Quando o básico não é garantido, há uma quebra desse contrato e isso acontece explicitamente quando o poder público se mantém omisso diante dos dados alarmantes referentes à evasão escolar, que segundo o MEC( Ministério da Educação), é gerada por falta de transporte escolar e de escolar- principalmente no interior do país-, dificuldade de aprendizado, falta de suporte emocional. Portanto, medidas são necessárias para reverter essa situação.

Ademais, a má distribuição de renda no país dá origem à miséria vivida por parte da população, o que agrava a lacuna estudantil. Partido disso, o livro “Quanto de despejo: diário de uma favelada”, escrito por Carolina Maria de Jesus, confirma essas perspectiva. Na obra, a escritora relata que, por viver em condições precárias, precisou abandonar os estudos para se inserir no mercado de trabalho e ajudar a família. E, apesar de terem se passado mais de 60 anos desde a publicação da obra, seu conteúdo consegue exprimir bem o Brasil de 2022. Logo, ações são necessárias para acabar com os quartos de despejo existentes no país.

Por conseguinte, cabe ao governo federal, em conjunto com a Secretaria Especial do Desenvolvimento Social, garantir a educação básica para toda a sociedade e uma distribuição igualitária de renda, por meio de políticas públicas, equ