Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 10/11/2022

Conhecida como cidadã, por ter sido concebida no processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que a evasão escolar e a realida-de brasileira configura-se como uma falha no princípio da isonomia, pois a saída de jovens das escolas justifica a profunda crise da educação no cenario nacional. Sendo assim, percebe-se que a evasão escolar possui raizes amargas no país motivadas não só pela desigualdade socioecônomica como também pela desatualização das aulas.

Sob essa perspectiva, destaca-se a desigualdade socioeconômica como uma das causas do problema. Nesse viés, segundo o índice de Gini -medida que classifica o grau de desigualdade em um país- o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo. Nessa lógica, essa cruel desigualdade força os estudantes de familias carantes a abandonarem os estudo, para que contribuam para a renda do lar cada vez mais cedo. Dessa forma, parcela da sociedade brasileira devido a sua condição social é impedida de ter acesso completo a educaçã, fato que resulta no agravamento do entrave social.

Outrossim, verifica-se a desatualização das aulas como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Diante disso, a educação brasileira é inspirada no modelo da revolução industrial do século XVIII que reproduzia na escola o formato de uma pequena fábrica. Nesse sentido, os estudantes eram submissos, dependentes e estimulados a obdecer, a fim de se tornarem bons operarios no futuro. Contudo, após seculos de evolução, esse modelo defasado de ensino ainda é presente na nação e infelizmente mostra-se incapaz de reter os alunos no processo pedagógico. Assim, enquanto essa realidade persistir, os dicentes continuarão cada vez mais desinteressados.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar a evasão escolar em toda nação. Para tanto, o governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de aprendizagem. Ademais, compete ao Ministério da Educação- orgão responsável pelas politicas nacionais educativas- por meio de amplo debate entre familias, estados e professores, introduzir novos métodos eficazes de ensino, com fito de transformar a educação brasileira. Feito isso, a população verá o direito garantido pela Constituição, finalmente como realidade.