Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 10/11/2022

A Constituição Federal de 1988 assegura a todos os indivíduos o amplo acesso à educação, visando pleno desenvolvimento dessas pessoas. Entretanto, na prática, tal garantia se encontra deturpada, visto o cenário da evasão escolar e a realidade brasileira, devido, principalmente, à desigualdade social e negligência governamental. Desse modo, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes para resolver essa problemática no Brasil.

Em primeira instância, é válido destacar a desigualdade social como promotora da evasão escolar. Conforme, Friedrich Nietzsche, a desigualdade dos direitos é a primeira condição para que haja direitos. Nesse contexto, os grupos mais vulneráveis socioeconomicamente sofrem por não terem capital suficiente para viver sob condições básicas, e como consequência muitas crianças e adolescentes são obrigados a sair da escola para iniciar no trabalho informal. Dessa forma, o contraste social contribui para que o acesso ao ensino se torne elitizado, afetando o direito à educação previsto pela Constituição.

Ademais, é imperativo ressaltar a inoperância governamental como contribuinte para a saída de jovens das escolas no Brasil. A esse respeito, Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de papel”, argumenta que a legislação brasileira não é eficaz e que embora aparente ser completa na teoria, não é concretizada na prática, deixando o direito dos cidadãos no “papel”. Nesse sentido, a falta de ações governamentais, como incentivos financeiros, para evitar a evasão escolar impede que o direito desses sujeitos saia do papel e torna a legislação brasileira falha. Assim, infelizmente, a lesiva inércia pública fortalece o aumento do problema no Brasil.

Portanto, medidas são necessárias para mudar a questão da evasão escolar e a realidade brasileira. Para isso, o Ministério da Educação, órgão responsável pela qualidade e administração educacional no país, deve criar bolsas de incentivos, por meio de parcerias com setores privados, a fim de reduzir o desvio escolar e diminuir a desigualdade desses jovens, para que assim não sejam obrigados a trocar a escola por trabalho. Dessa maneira, será possível a concretização dos preceitos feitos pela Constituição Cidadã.